Após atacar rebeldes, Síria diz que cumprirá resolução sobre armas

Porta-voz do país diz que governo já começou a preparar os documentos relacionados ao plano; EUA dizem que podem atacar caso plano não seja cumprido

O Estado de S. Paulo

15 de setembro de 2013 | 16h09

Após bombardear redutos rebeldes em Damasco neste domingo, o governo sírio deu sinais de que vai cumprir o plano de elminar armas químicas. O ministro da Informação da Síria, Omran al-Zoubi, disse em entrevista à emissora britânica de televisão ITN que o governo do país vai cumprir o combinado assim que o Conselho de Segurança da ONU aprovar uma resolução baseada nessa proposta.

Segundo Al-Zoubi, o governo do presidente Bashar al-Assad já começou a preparar os documentos relacionados ao plano. "A Síria se compromete com o que vier da ONU. Nós aceitamos o plano russo para nos livrarmos de nossas armas químicas. Na verdade, já começamos a preparar nossa lista", afirmou o ministro.

Na manhã deste domingo, 15, contudo, ataques aéreos, bombardeios e ataques de infantaria contra subúrbios de Damasco mostraram que Assad está de novo retomando a guerra contra rebeldes depois de um recuo após o ataque químico de 21 de agosto que provocou a ameaça de um ataque norte-americano.

"É uma proposta inteligente da Rússia para evitar os ataques", disse à Reuters um apoiador de Assad no porto de Tartous, local de uma base naval russa. "A Rússia vai nos dar novas armas que são melhores que armas químicas", acrescentou.

Um líder da oposição em Damasco ecoou a decepção entre os líderes rebeldes: "ajudar os sírios significaria acabar com o derramamento de sangue", disse. Estima-se que o ataque químico tenha matado apenas centenas de mais de 100 mil mortos na guerra que também forçou um terço da população a deixar suas casas desde 2011.

O presidente Barack Obama disse que ainda poderá lançar ataques se Damasco não seguir o plano de desarmamento de nove meses da ONU desenhado por Washington e pelo aliado de Assad, Moscou. Mas a relutância de eleitores dos EUA e aliados do Ocidente em entrar em uma nova guerra no Oriente Médio, e a oposição da Rússia, colocaram os ataques em espera.

Durante uma visita a Jerusalém neste domingo, o secretário de Estado americano, John Kerry, alertou que a "ameaça de uso da força é real" no caso da Síria não cumprir com o plano de destruir suas armas químicas. Ele visita a região para discutir com autoridades israelenses detalhes do acordo firmado entre EUA e Rússia sobre o uso de armas químicas na Síria.

Os rebeldes sírios, chamando o foco internacional no gás venenoso de um espetáculo secundário, evitaram comentar se o pacto poderia levar a conversas de paz e disseram que Assad retomou uma ofensiva com armas regulares agora que a ameaça de um ataque aéreo dos Estados Unidos diminuiu. Fonte: Dow Jones Newswires e Reuters

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