The Capital Gazette / Divulgação
The Capital Gazette / Divulgação

Após ataque à redação, jornal homenageia vítimas em edição especial

'Sim, nós vamos publicar o jornal', garantiu o veículo, em rede social, após o atentado que matou cinco funcionários; suspeito foi indiciado por homicídio qualificado e passará por audiência para discutir se terá direito à fiança

O Estado de S.Paulo

29 de junho de 2018 | 06h04
Atualizado 29 de junho de 2018 | 08h17

ANNAPOLIS, EUA - Horas após o ataque a tiros que matou quatro jornalistas e uma assistente de vendas dentro da própria redação, o jornal americano The Capital Gazette publicou uma edição especial em homenagem às vítimas. Mais cedo, o veículo havia anunciado em rede social que colocaria o jornal nas ruas após o ataque. Nesta manhã, o suspeito do ataque foi indiciado por homicídio qualificado.

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"Sim, nós vamos publicar o jornal amanhã", escreveu o The Capital Gazette. Em seguida, o veículo divulgou a capa da edição especial, na qual informa "Cinco mortos no The Capital - Suspeito em custódia". Na versão digital, o Capital Gazette prestou homenagens às vítimas em cinco obituários narrando a trajetória dos funcionários pela empresa.

O jornal foi alvo de um ataque a tiros nesta quinta-feira, 28, após um homem armado quebrar a porta de vidro, invadir a redação e disparar contra os funcionários. O atirador matou os jornalistas Gerald Fischman, Rob Hiaasen, John McNamara e Wendi Winters. A assistente de vendas Rebecca Smith também foi atingida pelos tiros e morreu.

Apesar da polícia não ter divulgado a identidade do suspeito, o Capital Gazette e o Baltimore Sun alegam que se trata de Jarrod Ramos, 38, residente de Laurel, cidade a 40 quilômetros a oeste de Annapolis. Nesta manhã, Ramos foi indiciado por cinco homicídios qualificados e passará por uma audiência para discutir se terá direito à fiança. Em 2012, ele processou o jornal por difamação após a cobertura do caso de assédio em que esteve envolvido. A Justiça, no entanto, decidiu a favor dos jornalistas.

O porta-voz da polícia do condado de Anne Arundel, onde fica Annapolis, Ryan Frashure, explicou que os agentes chegaram ao local 60 segundos após serem acionados e prenderam o atirador. Cerca de 170 pessoas foram tiradas do prédio e imagens de TV mostravam algumas delas saindo com as mãos para o alto.

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O administrador do condado de Anne Arundel, Steve Schuh, explicou que a polícia encontrou o atirador escondido sob uma mesa no prédio. Sua arma não estava próxima dele. Os policiais também acharam no prédio um pacote com um líquido inflamável e toda a ação, segundo Schuh, parecia ser de um “amador”. 

Cenário de guerra. Em entrevista para a versão online do Capital Gazette, o repórter Phil Davis, que cobre crime e justiça, narrou que o atirador entrou na redação após quebrar a porta de vidro e, em seguida, passou a disparar contra os funcionários. A cena se parecia "um cenário de guerra".

“Eu sou repórter de Polícia. Escrevo sobre essas coisas. Não necessariamente com essa extensão, mas sobre tiros e mortes o tempo todo”, disse. “Por mais que eu tente articular quão traumatizante é ficar escondido sob sua mesa, você não vai saber até estar lá e se sentir totalmente desamparado.” 

Davis disse que ele e os colegas continuaram escondidos mesmo depois que o homem parou de atirar. “Não sei por quê. Não sei porque ele parou”, disse. //REUTERS

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