Após ataque, Coreia do Sul corta ajuda humanitária a Pyongyang

Seul monitora trabalhadores da região fronteiriça e proibiu viagens ao país vizinho

Agência Estado

24 de novembro de 2010 | 10h03

SEUL - A Coreia do Sul anunciou nesta quarta-feira, 24, as primeiras medidas para penalizar a Coreia do Norte pelo ataque de artilharia realizado na terça-feira por Pyongyang. Seul cortou ajuda humanitária e interrompeu o tráfego até o vizinho, além de anunciar um treinamento militar conjunto com os Estados Unidos, informa o Wall Street Journal.

 

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Centenas de moradores deixaram ao longo do dia desta quarta (horário local) a ilha atacada, e militares chegaram para limpar a área. Foram descobertos os corpos de dois civis, elevando o número de mortos no ataque para quatro, incluindo dois militares. Na noite desta quarta (horário local), apenas cerca de 250 dos 1.200 moradores permaneciam na ilha, chamada de Yeonpyeong, localizada na região do Mar Amarelo. "Eu nunca imaginei que eles iriam disparar na gente", disse Lee Kil-yeo, um dos moradores que ficaram em casa. "Eu não quero viver mais aqui."

 

O presidente sul-coreano, Lee Myung-bak, falou por telefone com os líderes de EUA, Japão, Alemanha e Reino Unido sobre o ataque norte-coreano, mas não fez declarações públicas sobre o tema. O presidente dos EUA, Barack Obama, reafirmou o apoio de Washington à Coreia do Sul.

 

As Marinhas de EUA e Coreia do Sul iniciam exercícios conjuntos a partir deste domingo, no Mar Amarelo, com a presença do porta-aviões americano USS George Washington. Os dois países informaram que esse exercício estava planejado havia semanas, mas com o anúncio é possível mediar a reação da China ao ataque.

 

Autoridades chinesas protestaram de modo veemente quando foi anunciado o exercício militar no Mar Amarelo, em julho. Na ocasião, as duas nações acabaram realizando o exercício no lado leste da Península Coreana.

 

A China pode ser mais contida desta vez, porque não quer encorajar a Coreia do Norte a realizar mais ações contra a Coreia do Sul. Além disso, Pequim quer melhorar as relações com os EUA, antes da visita marcada do presidente chinês, Hu Jintao, a Washington em janeiro.

 

O governo sul-coreano não permitiu que ninguém siga até a Coreia do Norte hoje e disse estar monitorando a segurança de 780 sul-coreanos que trabalham no país vizinho. Seul interrompeu os envios de ajuda humanitária, incluindo 7 mil toneladas de cimento e cerca de US$ 500 mil em remédios.

 

A Cruz Vermelha da Coreia do Norte protestou contra o corte do auxílio e disse que a "atmosfera positiva" recente estava "em risco por causa da provocação de guerra maligna e ignorante" da Coreia do Sul.

 

O governo norte-coreano afirmou ontem que o ataque ocorreu em resposta a um disparo de artilharia da Coreia do Sul nas águas territoriais norte-coreanas. Seul afirma que apenas conduziu disparos de rotina em algumas ilhas próximas da fronteira marítima, mas nenhum deles cruzou a fronteira.

 

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Além dos dois civis e dois militares sul-coreanos mortos, há 15 soldados de Seul feridos, cinco deles com gravidade. Outros três civis também se feriram. As informações são da Dow Jones.

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