Após ataque em Londres, serviço de inteligência britânico será investigado

Comissão parlamentar analisará se houve negligência por parte de forças de segurança

25 Maio 2013 | 09h33

LONDRES - O chefe do serviço de inteligência interna da Grã-Bretanha, o MI5, vai depor em uma comissão parlamentar para explicar o que exatamente se sabia sobre os dois radicais islâmicos que mataram a facadas um militar britânico nas ruas de Londres, na segunda-feira. Um comitê parlamentar lançou uma investigação sobre o ataque no bairro de Woolwich para apurar se houve negligência por parte das forças de segurança.

O imigrante nigeriano Michael Adebolajo - que, segundos após esfaquear o militar, fez um discurso a uma câmera dizendo vingar a morte de muçulmanos por tropas britânicas - foi vigiado por cinco anos pelo MI5. No sábado, dia 25, a polícia antiterror de Londres prendeu, nos estúdios da BBC, um homem que concedeu uma entrevista afirmando que a inteligência britânica tentou recrutar Adebolajo, mas ele se recusou.

Seu suposto comparsa no ataque, Michael Adebowale, também era conhecido da inteligência britânica, segundo a imprensa. Ambos foram baleados pela polícia após o ataque e estão hospitalizados.

A vítima do ataque é o soldado Lee Rigby, de 25 anos, morto em decorrência das facadas que levou na cabeça e no pescoço. Ele serviu no Afeganistão e tinha um filho de 2 anos.

O governo do primeiro-ministro conservador David Cameron saiu em defesa dos serviços de inteligência. O secretário de Comunidades, Eric Pickles, disse que era impossível controlar todos os suspeitos de radicalismo islâmico simultaneamente.

"Parlamentares farão uma investigação sobre o que as forças de segurança sabiam. Mas escutei especialistas explicarem como é difícil, em uma sociedade livre, controlar a todos", disse Pickles em entrevista a uma rádio.

Líderes de várias religiões uniram-se para evitar uma escalada da tensão entre comunidades. O arcebispo de Canterbury, Justin Welby, principal autoridade da Igreja Anglicana na Grã-Bretanha, elogiou a reação de organizações islâmicas britânicas após o atentado e pediu mais cooperação inter-religiosa.

As principais organizações islâmicas do país repudiaram o ataque. "São idiotas que têm uma fé própria e nenhuma relação com o Islã", disse um vizinho, muçulmano. Em uma mesquita no leste de Londres, líderes cristãos e judeus se juntaram ontem a 6 mil fiéis islâmicos para as rezas de sexta-feira.

Flagrante. A polícia chegou ao local do assassinato 13 minutos após ser acionada. Ontem, o tabloide Daily Mirror divulgou um vídeo do momento em que os policiais enfrentam os dois agressores. Um deles parte para cima do carro da polícia com uma faca na mão, até ser abatido a tiros. O outro também corre em direção aos policiais e é seguidamente baleado, até mesmo depois de cair no chão.

A família de Rigby convocou ontem uma entrevista coletiva para falar sobre a perda. A mulher do militar, Rebecca, afirmou que estava mais tranquila desde que ele retornara do Afeganistão. "Você não espera algo desse tipo na sua calçada", disse o padrasto de Rigby, Ian.

Informações da Reuters

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