Após ataque, imprensa grega teme retorno do extremismo

Peritos gregos examinavam neste sábado os destroços do ataque à embaixada norte-americana em Atenas, ação condenada e classificada pelos meios de comunicação como o sinal sombrio de um possível retorno da militância extremista no país. A polícia suspeita que o grupo guerrilheiro de esquerda Luta Revolucionária tenha disparado a granada-foguete contra o prédio da embaixada na sexta-feira, no pior ataque desse tipo no país em anos. A explosão causou danos pequenos, e ninguém ficou ferido. "O ataque contra a embaixada foi forte, audacioso, altamente simbólico, com uma arma importada", declarou o influente diário Vima, em editorial. "Infelizmente, o terrorismo está retornando, pronto para colocar a sua marca sombria no processo político." Segundo a polícia, a arma usada no ataque era um lançador de granadas chinês RPG 7. "Esse material militar não é usado pelas forças armadas gregas e nunca foi usado num ataque similar no nosso país", disse o comunicado da polícia. A princípio, as autoridades temeram que a granada fosse parte de um conjunto de armas roubado de um campo militar na década de 90 pela organização guerrilheira 17 de Novembro, hoje desmantelada. A hipótese poderia significar o renascimento do grupo, com membros que talvez tivessem escapado da repressão. InvestigaçãoA organização Luta Revolucionária apareceu em 2002 como a ameaça interna mais séria da Grécia desde o fim do 17 de Novembro. Em comunicados à imprensa, o grupo mostra uma retórica anti-EUA. "Ninguém esperava um ataque terrorista tão forte, um ataque contra um prédio norte-americano, símbolo da adoção de medidas de segurança severas", declarou o jornal Eleftheros Typos. "Para Washington, isso foi um grande insulto." A polícia está checando gravações de câmeras de vigilância ao redor da embaixada, na busca de suspeitos. Ela também investiga um telefonema anônimo para a empresa de segurança contratada pela embaixada, no qual o grupo Luta Revolucionária assume o ataque. A organização ganhou notoriedade em 2003, quando detonou uma bomba num tribunal. Desde então, assumiu a responsabilidade pela tentativa de assassinato do ministro da Cultura grego e por uma explosão no Ministério da Economia que deixou dois feridos.

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