Após ataque, Medvedev culpa aeroporto por falhas

O presidente russo, Dmitry Medvedev, disse hoje que claras brechas na segurança permitiram que uma suicida com vínculos com a região do norte do Cáucaso realizasse um atentado no dia anterior no Aeroporto Domodedovo, em Moscou. O ataque deixou 35 mortos. Falando em rede nacional de televisão, Medvedev exigiu respostas do aeroporto sobre como foi permitida a entrada da mulher na área de desembarque, quando passageiros de vários voos chegavam ao local. A explosão representou um duro revés para a imagem internacional da Rússia, no momento em que o país se prepara para sediar dois importantes eventos: os Jogos de Inverno, em 2014, e a Copa do Mundo em 2018.

AE, Agência Estado

25 de janeiro de 2011 | 10h43

Fontes disseram à agência estatal RIA Novosti que o ataque tem as marcas dos militantes da região do Cáucaso, de maioria muçulmana. Militantes dessa região estão por trás de vários ataques na capital russa nos últimos anos. O autor do ataque aparentemente era uma mulher, segundo a agência. Inicialmente, acreditava-se que fosse um homem na casa dos 30 anos. A explosão deixou o país em alerta. A Rússia recebeu apoio de vários países ocidentais, bem como das Nações Unidas e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

Medvedev disse que os executivos do Aeroporto Domodedovo serão responsabilizados por lapsos que facilitaram o ataque. "Todos ligados à companhia que tomam as decisões ali, e o próprio gerenciamento do aeroporto, devem responder por tudo. Isso é um ato de terror. Isso é uma desgraça. Isso é uma tragédia", discursou o presidente.

Uma porta-voz do aeroporto afirmou que todos os procedimentos de segurança foram seguidos corretamente e o Aeroporto Domodedovo não tinha culpa. A Ria Novosti afirmou que a explosão ocorreu quando a suposta suicida abriu sua mala. Ela estaria acompanhada por um homem. A gerência do aeroporto insistiu que a polícia de transportes russa estava no comando da segurança na área.

O Ministério das Emergências informou em comunicado que o número de pessoas hospitalizadas pelo ataque foi atualizado hoje para 108. Dois britânicos, um alemão e cidadãos de Bulgária, Quirguistão, Tajiquistão, Usbequistão e Ucrânia estão entre os mortos, informou o Ministério das Emergências. Nove estrangeiros, incluindo cidadãos de Alemanha, França, Eslováquia e Itália estão entre os mais de cem feridos, segundo funcionários russos.

''Ultrajante''

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, qualificou o ataque como "ultrajante". A chanceler alemã, Angela Merkel, condenou a "covardia". Em março de 2010, duas suicidas detonaram explosivos no metrô de Moscou, matando 40 pessoas e ferindo mais de cem. Esse ataque foi atribuído a militantes muçulmanos do norte do Cáucaso.

A insurgência no Cáucaso começou a partir do movimento separatista na Chechênia, uma região de maioria muçulmana. Muitos habitantes da Chechênia queriam se separar da Rússia quando houve o colapso da União Soviética, em 1991. Duas guerras ocorreram na área, quando Moscou sufocou o movimento com força militar. Com a repressão, parte da população se voltou para o nacionalismo e o Islã.

As operações militares continuam na Chechênia nos últimos anos, mas a insurgência se disseminou pelas repúblicas vizinhas do Cáucaso, almejando um Estado islâmico em toda a região e pressionando com ataques no país, incluindo na capital Moscou. Especialistas criticam, porém, a falta de ação do governo central para melhorar as condições econômicas da região. No ano passado, Medvedev tentou responder a essas críticas e nomeou um representante especial para lidar com as causas da violência. O presidente prometeu criar 400 mil empregos em 15 anos na região. As informações são da Dow Jones.

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