Após ataque, Noruega e Suécia fecham embaixadas no Paquistão

Explosão de carro-bomba em embaixada dinamarquesa deixa 35 feridos; contadora brasileira passa bem

Associated Press,

02 de junho de 2008 | 14h56

A explosão de um carro-bomba no estacionamento da embaixada da Dinamarca em Islamabad, capital do Paquistão, nesta segunda-feira, 2, provocou a morte de pelo menos seis pessoas e feriu outras 35, inclusive uma brasileira, informaram autoridades locais e testemunhas. Os governos da Noruega e da Suécia imediatamente ordenaram o fechamento de suas embaixadas em Islamabad.     Veja também: Brasileira ferida em atentado no Paquistão passa bem   O ataque destruiu dezenas de veículos parados no estacionamento e abriu uma cratera de um metro de profundidade no chão. Um muro próximo do local da explosão desabou e o portão da embaixada foi reduzido a um monte de ferro retorcido, mas a representação diplomática em si teve apenas janelas estilhaçadas   A explosão ocorreu por volta das 13 horas no horário local e foi ouvida por toda a cidade. Pessoas cobertas de sangue e sobreviventes ilesos começaram a correr em pânico e sem direção depois do ataque.   Até o momento, ninguém reivindicou a autoria do atentado, mas a suspeita rapidamente recaiu à Al-Qaeda. Em abril, o médico egípcio Ayman al-Zawahiri, número dois na hierarquia da rede extremista, convocou fundamentalistas islâmicos a atacarem alvos dinamarqueses em resposta aos charges do profeta Maomé publicadas no jornal dinamarquês Jyllands-Posten.   Em 2005, a publicação provocou uma crise com o mundo islâmico, com boicote econômico a empresas dinamarquesas e manifestações de protesto contra a Dinamarca.   Brasileira ferida   A única estrangeira entre os feridos explosão foi Maria Iraíse Nobre, de 43 anos, contadora brasileira a serviço da embaixada, informou o Itamaraty.   Ela sofreu escoriações superficiais e passa bem. Segundo a rede BBC, Maria continua na unidade de tratamento intensivo do Instituto de Ciências Médicas do Paquistão, mas deve ser transferida na terça.   Repercussão   O ministro dinamarquês das Relações Exteriores qualificou o ataque como "totalmente inaceitável."   O alto representante para Política Externa e Segurança Comum da União Européia, Javier Solana, condenou o "intolerável ataque contra a embaixada dinamarquesa", e expressou suas condolências aos governos dos dois países afetados, assim como às famílias das vítimas, segundo um comunicado.   A explosão também ocorre em um momento no qual o governo do Paquistão busca acordos de paz com militantes islâmicos baseados na região de fronteira com o Afeganistão. Funcionários paquistaneses condenaram o atentado, mas não indicaram a intenção de parar de negociar.   As autoridades paquistanesas condenaram o ataque, mas indicaram que manterão as negociações de paz. O governo insiste que não estão "conversando com terroristas", mas com militantes que querem baixar suas armas.

Mais conteúdo sobre:
PaquistãoDinamarcaatentado

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.