US MARINE CORPS/ EFE
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Após ataque que matou general iraniano, Itamaraty diz 'apoiar luta contra o terrorismo'

MRE afirma que o Brasil está 'pronto a participar de esforços internacionais que contribuam para evitar uma escalada de conflitos neste momento'

Felipe Frazão, O Estado de S.Paulo

03 de janeiro de 2020 | 22h10

BRASÍLIA -  O Ministério das Relações Exteriores (MRE) manifestou na noite desta sexta-feira, 3, apoio à “luta contra o flagelo do terrorismo”, ao comentar, em nota oficial, o ataque aéreo norte-americano que matou no Iraque o general Qassim Suleimani, chefe da Guarda Revolucionária do Irã. O comunicado da diplomacia brasileira, o primeiro sobre o assunto, não menciona o nome do comandante militar.

Apesar de não citar a execução do general, por meio de um bombardeio de alta precisão efetuado por drones, na noite desta quinta-feira, dia 2, o MRE afirma que o Brasil está “pronto a participar de esforços internacionais que contribuam para evitar uma escalada de conflitos neste momento”.

Por outro lado, o governo brasileiro “condenou ataques à Embaixada dos Estados Unidos em Bagdá” e cobrou que as autoridades locais garantam o respeito à integridade dos agentes diplomáticos, previstos na Convenção de Viena.

O Itamaraty, por mais de uma vez e em tom de "apelo", usa a nota para pedir a unidade de todas das nações contra o terrorismo em “todas as suas formas”. Uma das principais acusações dos EUA é justamente que a Revolução Iraniana promove o terrorismo e colabora com milícias no Iraque.



Em pronunciamento oficial, o presidente Donald Trump afirmou nesta sexta que Suleimani "planejava ataques iminentes contra diplomatas civis e militares norte-americanos" na região e citou a honra de "vítimas inocentes" dele. No comando da Guarda Revolucionária, o general era até então a figura militar mais importante do regime islâmico vigente no Irã desde o fim dos anos 1970.

"Nos últimos 20 anos, Suleimani vem perpetrando atos de terrorismo para desestabilizar o Oriente Médio. O que os EUA fizeram ontem deveria ter sido feito há muito tempo, vidas teriam sido poupadas", afirmou Trump.

A política externa do governo Bolsonaro tem sido marcada por uma tentativa de aproximação com os EUA, conduzida pelo próprio presidente junto a Donald Trump. O Brasil também passou a tomar lado em questões internacionais nas quais antes se mantinha neutro ou em condição de mediador. A chancelaria tem optado por adotar posições defendidas pelos norte-americanos e seus aliados, como Israel.  

“O governo brasileiro manifesta seu apoio à luta contra o flagelo do terrorismo e reitera que essa luta requer a cooperação de toda a comunidade internacional sem que se busque qualquer justificativa ou relativização para o terrorismo”, afirma o Itamaraty. “O terrorismo não pode ser considerado um problema restrito ao Oriente Médio e aos países desenvolvidos, e o Brasil não pode permanecer indiferente a essa ameaça, que afeta inclusive a América do Sul.”

O ministério também afirma que o Brasil “acompanha com atenção os desdobramentos da ação no Iraque, inclusive seu impacto sobre os preços do petróleo”. O presidente Jair Bolsonaro havia afirmado, mais cedo, que se preocupa com o impacto de um eventual confronto no preço do combustível no País, mas que espera uma volta da normalidade nas cotações nos próximos dias.


 

Íntegra da nota do Ministério das Relações Exteriores

Acontecimentos no Iraque e luta contra o terrorismo

Ao tomar conhecimento das ações conduzidas pelos EUA nos últimos dias no Iraque, o Governo brasileiro manifesta seu apoio à luta contra o flagelo do terrorismo e reitera que essa luta requer a cooperação de toda a comunidade internacional sem que se busque qualquer justificativa ou relativização para o terrorismo.

 O Brasil está igualmente pronto a participar de esforços internacionais que contribuam para evitar uma escalada de conflitos neste momento.

 O terrorismo não pode ser considerado um problema restrito ao Oriente Médio e aos países desenvolvidos, e o Brasil não pode permanecer indiferente a essa ameaça, que afeta inclusive a América do Sul.

 Diante dessa realidade, em 2019 o Brasil passou a participar em capacidade plena, e não mais apenas como observador, da Conferência Ministerial Hemisférica de Luta contra o Terrorismo, que terá nova sessão em 20 de janeiro em Bogotá.

 O Brasil acompanha com atenção os desdobramentos da ação no Iraque, inclusive seu impacto sobre os preços do petróleo, e apela uma vez mais para a unidade de todas as nações contra o terrorismo em todas as suas formas.

O Brasil condena igualmente os ataques à Embaixada dos EUA em Bagdá, ocorridos nos últimos dias, e apela ao respeito da Convenção de Viena e à integridade dos agentes diplomáticos norte-americanos reconhecidos pelo governo do Iraque presentes naquele país.

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