EFE/JIM LO SCALZO
EFE/JIM LO SCALZO

Após ataque, Casa Branca diz que 'não é hora de debater controle de armas'

Porta-voz do governo norte-americano, Sarah Huckabee disse que momento 'é o de se unir como país'

O Estado de S.Paulo

02 Outubro 2017 | 17h28

WASHINGTON - Após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fazer um minuto de silêncio no jardim da Casa Branca nesta segunda-feira, 2, em homenagem às vítimas do ataque a tiros da noite de domingo em Las Vegas, a porta-voz da Casa Branca, Sarah Huckabee, disse que esse não era o momento oportuno para um debate sobre o controle de armas. 

"Há um momento e um lugar para o debate político, mas agora é o momento de nos unir como país", disse, antes de acrescentar que há uma investigação em curso e "seria prematuro discutir política quando não se sabe de todos os fatos". O ataque deixou pelo menos 59 mortos e mais de 500 feridos, e já é considerado o mais violento dos Estados Unidos em décadas. 

Vídeos mostram pânico durante ataque em festival

Na breve cerimônia, Trump foi acompanhado por sua mulher, Melania, e pelo vice-presidente dos EUA, Mike Pence, e sua mulher, Karen. Eles se uniram a um grande grupo de funcionários da presidência no jardim da Casa Branca para a homenagem.

De manhã, Trump leu na Casa Branca uma mensagem ao país, onde qualificou o ataque como "um ato de pura maldade".

Em seu discurso, Trump pediu um fortalecimento dos laços que unem a "fé, as famílias e os valores" dos EUA. "Sei que estamos buscando algum tipo de significado no caos, algum tipo de luz na escuridão. As respostas não são vistas facilmente", acrescentou.

Logo depois, a Casa Branca emitiu uma ordem presidencial para que as bandeiras do país fossem erguidas a meio pau na sede presidencial e escritórios públicos até o dia 6, em homenagem às vítimas de Las Vegas.

Vários congressistas democratas pediram hoje aos republicanos que deixem de bloquear leis para controlar as armas no país após o ataque em Las Vegas, cometido com armas de fogo muito potentes.

Os 10 piores ataques de atiradores nos Estados Unidos

Trump, que se alinhou à Associação Nacional do Rifle (NRA) desde a campanha eleitoral de 2016, não fez nenhuma referência ao tema durante o discurso. Perguntada sobre qual é a posição do presidente sobre o controle de armas, Sarah respondeu que Trump é um "ferrenho defensor da Segunda Emenda" da Constituição dos EUA, que garante o direito ao porte de armas e que é utilizada como argumento contra os que se opõem a uma maior restrição nesse sentido.

Quando uma jornalista lembrou à porta-voz que, após o ataque a tiros ocorrido em junho de 2016 em Orlando, na Flórida, Trump falou imediatamente de política, defendendo sua proposta de vetar a entrada de muçulmanos no país, Sarah disse que há uma diferença entre ser candidato e presidente. "O país pode ter essa conversa política, mas hoje não é o dia para isso", disse ela.

Após esse tipo de incidente, bastante frequente nos EUA, é comum que os democratas defendam um maior controle de armas, e os republicanos acusem os adversários de politizar a tragédia.

BLOG. Maior ato de violência do governo Trump não veio de cidadãos de países muçulmanos

Sarah também não quis afirmar se a Casa Branca considera o ataque em Las Vegas como um ato de terrorismo doméstico. Segundo a porta-voz, também é prematuro utilizar o termo até que haja mais informações sobre o que de fato ocorreu.

A porta-voz citou no início da entrevista algumas histórias de algumas pessoas que estavam no local do ataque e destacou que várias delas arriscaram suas vidas para salvar pessoas que não conheciam. "O ânimo americano não pode ser abalado", disse Sarah, visivelmente emocionada. / AFP e EFE 

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.