Após atentado, Europa pede retorno de soberania ao Iraque

O atentado que causou a morte de pelo menos 18 soldados italianos em Nassíria, no Iraque, está contribuindo para reforçar a posição de países europeus - entre eles, França, Rússia, Alemanha e Bélgica - que defendem a aceleração da transferência da soberania aos iraquianos. Ao condenar o "novo e horrível atentado", o chanceler francês, Dominique Villepin, manifestou o apoio da França às declarações de seu colega britânico, Jack Straw, de que "a transferência da soberania aos iraquianos poderá ocorrer mais rapidamente do que se previa". Previa-se, até agora, que a medida ocorreria via Conselho de Governo do Iraque, mas o chanceler da Grã-Bretanha - país membro da coalizão - já admite "outras soluções para que esse objetivo possa ser atingido". Isso ocorre no momento em que também o administrador civil americano, Paul Bremer, atualmente em Washington, analisava a mesma possibilidade com o presidente George W. Bush e alguns de seus principais assessores, Donald Rumsfeld e Colin Powell - o que significa uma sensível mudança na posição americana. Essa tendência vinha sendo notada nos últimos dias, constatando-se uma maior aproximação das posições americanas com a defendida por franceses, alemães e russos. Isso poderia tornar viável a médio prazo a própria presença de forças desses países no Iraque. Quanto à Rússia, o presidente Vladimir Putin também manifestou revolta com o atentado, mas voltou a defender uma rápida "restauração da soberania do Iraque sob a égide da ONU", numa declaração conjunta com o primeiro-ministro da Índia, Atal Behari Vajpayee (em visita oficial ao país), aumentando as pressões internacionais sobre os EUA. Na Bélgica, o ministro do Exterior, Louis Michel, adotou a mesma linha, dizendo que "só uma volta imediata da estabilidade poderá tornar efetiva a reconstrução do Iraque". A reação da Espanha foi idêntica, mas Madri manterá seus 2.500 soldados em território iraquiano. Mas o primeiro-ministro José María Aznar recuou ao fechar provisóriamete a embaixada espanhola em Bagdá, repatriando diplomatas e funcionários.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.