Após atentados, tropas da França intervêm no Níger

Objetivo era libertar reféns retidos no norte do país; Al-Qaeda alertou que atacaria alvos franceses no mundo

ANDREI NETTO, CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S.Paulo

25 de maio de 2013 | 02h02

Tropas especiais da França entraram ontem no Níger, abrindo um segundo front na luta contra grupos terroristas na África. A ação ocorreu na cidade de Agadez, no centro do país, e tinha como objetivo libertar eventuais reféns que grupos jihadistas teriam feito após invasão de uma instalação militar. Essa hipótese não se confirmou.

Ontem, o grupo extremista islâmico Movimento pela Unidade e pela Jihad na África Ocidental (Mujao) reivindicou a autoria do ataque, assim como a invasão de uma mina de urânio da companhia de energia nuclear francesa Areva, em Arlit.

Os dois ataques ocorreram na quinta-feira e envolveram atentados simultâneos com carros-bomba, que deixaram um total de 21 mortos e dezenas de feridos, de acordo com o Ministério do Interior do Níger.

O objetivo dos ataques de Agadez e de Arlit foi pressionar as Forças Armadas da França, que estão em guerra contra movimentos extremistas islâmicos no Mali. Em razão dessa ofensiva militar, outro grupo terrorista, a Al-Qaeda do Magreb Islâmico (AQMI), franquia africana da rede terrorista, já havia ameaçado o país, advertindo que atacaria alvos franceses pelo mundo.

Ontem, o ministro da Defesa da França, Jean-Yves Le Drian, confirmou que as tropas especiais do país intervieram no Níger em resposta aos dois ataques de quinta-feira. "No momento em que me pronuncio, a situação está estabilizada, em particular em Agadez, onde nossas forças especiais estão intervindo em apoio às forças do Níger, por pedido do presidente Mahamadou Issoufou", afirmou Le Drian.

Mahamadou Karidjo, ministro da Defesa do Níger, confirmou a informação e disse que "dois terroristas e sequestradores" foram mortos na intervenção. Segundo autoridades dos dois países, havia a suspeita de que os jihadistas tivessem feito reféns na base de Agadez. "É preciso evitar que o norte do Níger ou do Chade sofram riscos idênticos ao do Mali", afirmou Le Drian, que definiu o Mali de antes da intervenção francesa como um "santuário islâmico".

Para o ministro, toda a região do Sahel, a zona de transição entre o deserto do Saara e o sul do continente, é uma das maiores "zonas de instabilidade" política e militar do planeta.

O Níger é um país vizinho do Mali e da Líbia, duas nações em que a França interveio militarmente nos últimos dois anos. Ontem, em pronunciamento no Instituto de Altos Estudos de Defesa Nacional (IHEDN), em Paris, o presidente François Hollande afirmou que os ataques terroristas no Níger são mais uma evidência de que a intervenção da França na região era necessária. "É uma prova de que devemos levar nossa solidariedade e nosso apoio aos países da África Ocidental que enfrentam o flagelo do terrorismo", justificou o presidente francês, referindo-se aos grupos jihadistas da região.

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