Pete Marovich/NYT
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Após atraso, Biden faz primeira ligação para Netanyahu

Líderes conversaram sobre Irã, cooperação de defesa e relação com palestinos

Redação, O Estado de S.Paulo

17 de fevereiro de 2021 | 20h33

WASHINGTON - O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, fez o aguardado primeiro telefonema para o primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, nesta quarta-feira, 17, após um atraso que forçou Washington a negar especulações de que estaria esnobando o líder de Israel.

"Foi uma boa conversa", disse Biden a repórteres no Salão Oval, onde se reuniu com líderes sindicais dos EUA.

Biden e Netanyahu conversaram por cerca de uma hora sobre questões como a "ameaça iraniana" e as relações de Israel com os países árabes e muçulmanos, disse o escritório de Netanyahu em um comunicado. "Os dois líderes destacaram sua conexão pessoal de longa data", acrescentou.

A Casa Branca disse que discutiu, entre outras questões, a necessidade de "consultas contínuas e estreitas" sobre o Irã.

Biden disse a Netanyahu que pretende fortalecer a cooperação de defesa com Israel e enfatizou seu apoio à normalização das relações com seus vizinhos. Ele também "ressaltou a importância" de trabalhar pela paz entre israelenses e palestinos, disse o comunicado.

Biden conversou com cerca de uma dúzia de outros líderes mundiais desde que assumiu o cargo, em 20 de janeiro. A Casa Branca disse que Netanyahu, que diverge de Biden em algumas questões do Oriente Médio, como o Irã, seria o primeiro líder regional que ele chamaria. No entanto, a demora em realizar a ligação provocou especulações de que o presidente democrata estava sinalizando descontentamento com os laços estreitos de Netanyahu com o ex-presidente Donald Trump, que telefonou para o líder de direita dois dias após sua posse, em 2017.

O atraso no tradicional telefonema de cortesia também foi amplamente considerado pelos analistas como um sinal de que Biden não queria ser visto impulsionando Netanyahu antes das eleições de 23 de março em Israel.

Embora alguns analistas tenham dito que o impasse poderia prenunciar relações mais frias entre os dois países, não houve sinais imediatos de tensões entre os dois governos.

Netanyahu reconheceu esta semana ter diferenças com Biden sobre questões iranianas e palestinas, mas disse que os dois têm uma forte relação de trabalho.

A relação dos dois países, no entanto, pode ser testada se os EUA voltarem ao acordo nuclear com o Irã, e se opuserem à construção de assentamentos israelenses em terras ocupadas. / REUTERS

 

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