EFE/MIGUEL GUTIÉRREZ
EFE/MIGUEL GUTIÉRREZ

Processo contra Maduro avança e entusiasma oposição venezuelana

Após uma intensa pressão da oposição e ameaças do chavismo de que o processo seria anulado, primeiras assinaturas pela votação foram validadas

O Estado de S.Paulo

01 Agosto 2016 | 20h50

CARACAS -  O Conselho Nacional Eleitoral da Venezuela (CNE) validou nesta segunda-feira, 1, depois de dois meses de atraso, a primeira fase do processo de referendo revogatório do mandato do presidente Nicolás Maduro, após uma intensa pressão da oposição e ameaças do chavismo de que o processo seria anulado. 

Segundo o CNE, a oposição reuniu mais de 400 mil assinaturas - o dobro do necessário para dar início ao referendo revogatório. A oposição Os antichavistas dizem ter recolhido 1,8 milhão, das quais 600 mil foram descartadas pelo CNE. Segundo a chefe da Corte, Tibisay Lucena, o tribunal pedirá uma investigação à Justiça do país sobre a validade das demais assinaturas, acatando um pedido do governo que denuncia uma suposta fraude. 

O CNE também não anunciou quando ocorrerá a próxima etapa do referendo revogatório, que requer o recolhimento de 4 milhões de assinaturas. Se realizado ainda neste ano e Maduro for derrotado, o referendo pode culminar com a realização de novas eleições. 

Líderes da oposição pressionam o CNE para que a data seja marcada imediatamente. “Só falta uma etapa para a votação”, comemorou o líder do partido Voluntad Popular, Freddy Guevara, no Twitter. “Tenham força e fé que um país melhor está vindo.”

O governo, no entanto, promete barrar o referendo na Justiça, que dificilmente toma decisões contrárias ao chavismo. “O referendo está morto legalmente. Nada se constrói sobre uma base fraudulenta”, disse à tarde o representante do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) junto ao CNE, Jorge Rodríguez. “As fraudes em assinaturas, com nome de pessoas mortas, foram confirmadas pelos próprios reitores do CNE.”

Além disso, ainda de segundo Rodríguez, há mais de 8 mil processos em curso na Justiça venezuelana - na qual a grande maioria dos juízes foi indicada pelo governo e raramente toma decisões contrárias aos interesses chavistas - questionando o processo. “Para mim, o referendo está totalmente impugnado e morto nas ruas”, acrescentou Rodríguez. “A MUD não conseguiu encher a avenida no protesto da semana passada.”

O chavismo pediu o cancelamento do registro eleitoral da MUD na semana passada, também com o argumento de fraude. A oposição, então, convocou uma marcha para pressionar o CNE. Se for realizado ainda neste ano, o referendo pode levar à convocação de novas eleições. A MUD acusa o governo de retardar e boicotar o processo. 

Narcotráfico. A Justiça americana anunciou hoje o indiciamento de dois ex-membros do governo venezuelano acusados de narcotráfico: o ex-diretor da Guarda Nacional Bolivariana, Nestor Reverol, e o ex-vice-diretor da agência antidroga venezuelana Edylberto Molina. Ambos os indiciados ocuparam cargos no governo Hugo Chávez./ EFE, REUTERS e AFP

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