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Após bombardeio, Médicos Sem Fronteiras retira equipe de 6 hospitais no Iêmen

Organização optou pela decisão em razão da ‘intensidade da atual ofensiva’ e da ‘perda de confiança na capacidade da coalizão liderada pela Arábia Saudita de evitar ataques letais’

O Estado de S.Paulo

19 Agosto 2016 | 12h49

CAIRO - A organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) anunciou na quinta-feira a retirada de sua equipe de vários hospitais no norte do Iêmen, após o bombardeio que atingiu nesta semana um desses centros e matou ao menos 19 pessoas.

A ONG explicou em comunicado que decidiu retirar seus trabalhadores dos hospitais de Haydan, Razeh, Al Gamouri e Yasnim, na Província de Saada, e dos de Abs e Al Gamouri, em Hashah, onde aconteceu o atentado.

"O ataque contra o hospital de Abs é o quarto e mais mortal contra as instalações apoiadas pela MSF durante esta guerra. Além disso, aconteceram inúmeros ataques em outras instalações médicas e serviços em todo o Iêmen", destacou a nota.

Ao todo, 19 pessoas morreram na ação de segunda-feira. Várias delas no momento do bombardeio, e várias outras em decorrência dos ferimentos. Dois terços do hospital de Abs foram destruídos pela ação.

"Em razão da intensidade da atual ofensiva e da perda de confiança na capacidade da coalizão liderada pela Arábia Saudita (que intervém no Iêmen contra rebeldes houthis) de evitar ataques letais, a MSF considera que os hospitais de Saada e Hashah não são seguros para pacientes e médicos", disse a nota da organização.

"A decisão de retirar pessoal de um projeto nunca é tomada apressadamente, mas diante da ausência de garantias, por parte dos grupos em conflito, de proteção às instalações médicas, trabalhadores e pacientes, não resta outra opção", ressaltou.

Dentre os funcionários que serão retirados dos hospitais estão obstetras, pediatras, cirurgiões e especialistas em emergências.

Além disso, a MSF pediu que a coalizão liderada pela Arábia Saudita e seus apoiadores garantam "a imediata aplicação de medidas destinadas a aumentar de forma substancial a proteção aos civis". A aliança conta com o suporte de Estados Unidos, Grã-Bretanha e França.

Por outro lado, a ONG informou que os seis hospitais seguirão em operação com trabalhadores do Ministério da Saúde do Iêmen e voluntários locais.

A nota ainda destaca que é muito complicado para os hospitais lidar com as necessidades médicas causadas pela violência e pela escassez de bens básicos no foco do conflito.

Até o dia do bombardeio, a MSF contava com cerca de 2 mil trabalhadores no Iêmen - dentre eles, 90 estrangeiros - e operava 11 hospitais e centros médicos, além de oferecer apoio a outros 18 em 8 províncias do país. / EFE

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