Após bombardeio, paquistaneses pedem " morte aos EUA"

Gritando " morte aos EUA", grupos islâmicos lançaram uma onda nacional de protestos no Paquistão contra o bombardeio de uma vila na fronteira do país com o Afeganistão. O ataque deixou pelo menos 17 mortos, incluindo civis inocentes, mulheres e crianças, e foi atribuído à CIA, que teria tentado atingir o líder da Al-Qaeda, Ayman al-Zawahri. Informações posteriores deram conta de que Al-Zawahri não se encontrava no local atingido.O presidente do Paquistão, general Pervez Musharraf, fez um pronunciamento alertando o povo paquistanês para que não dê abrigo a terroristas, dizendo que isso só aumenta a violência no país. Ele não citou diretamente o bombardeio, mas seu governo apresentou um protesto formal ao embaixador americano.Neste domingo, mais de 600 pessoas enfrentaram chuvas e frio para participar de uma passeata contra o ataque aéreo, a 50 km da vila atingida, Damadola. Os manifestantes gritavam "Morte aos EUA", "Morte a Bush" e "Um amigo dos EUA é um traidor", denunciando Musharraf por sua aliança com os Estados Unidos.Outro grupo de manifestantes marchou pelas ruas de Islamabad, exigindo a retirada das tropas americanas do Afeganistão, e uma coalizão de grupos islâmicos antiamericanos promete novos protestos durante todo o dia.Sobreviventes do bombardeio de Damodola negam que houvesse terroristas entre eles, mas alguns serviços noticiosos dizem que há pelo menos 11 extremistas entre os mortos. Um agente de espionagem paquistanês disse que alguns corpos foram recolhidos para passar por exames de DNA.Nos EUA, autoridades envolvidas no combate ao terrorismo abstiveram-se de comentar as notícias de que a tragédia de Damodola teria sido causada por aviões teleguiados da CIA.

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