Após Brasil, Argentina reconhece o Estado palestino

BUENOS AIRES

Marina Guimarães, da AE, e AFP, O Estado de S.Paulo

07 de dezembro de 2010 | 00h00

A Argentina reconheceu o Estado palestino dentro das fronteiras anteriores à Guerra dos Seis Dias, em 1967, informou ontem a chancelaria do país. O Uruguai, por sua vez, confirmou que reconhecerá a Palestina no próximo ano. A decisão ocorre três dias após o Brasil anunciar o reconhecimento do Estado palestino.

Segundo o ministro de Relações Exteriores argentino, Héctor Timermann, "a Argentina compartilha com seus sócios do Mercosul - Brasil, Paraguai e Uruguai - a crença de que chegou o momento de reconhecer os territórios palestinos como Estado livre, com o objetivo de favorecer a solução do conflito no Oriente Médio".

Na sexta-feira, o Itamaraty anunciou que o governo brasileiro reconheceu o Estado palestino também nas fronteiras anteriores à Guerra dos Seis Dias, em 1967. O pedido havia sido feito pelo presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva em carta datada de 24 de novembro. Timmerman lembrou que a AP instalou uma missão diplomática em Buenos Aires em 1996, enquanto a Argentina inaugurou sua representação em Ramallah em 2008.

O chanceler ressaltou ainda que o reconhecimento da Palestina não representa uma inimizade com Israel. "A Argentina ratifica o direito de Israel de ser reconhecido por todos e de viver em paz e reafirma a amizade e a vigência do acordo comercial entre o Mercosul e Israel." Timmerman destacou que o acordo de livre comércio firmado com o Estado judeu foi o primeiro do Mercosul fora do continente.

Uruguai. Após o anúncio brasileiro, os palestinos disseram esperar que a decisão de Lula provocasse uma onda de reconhecimento do Estado palestino na região. O vice-ministro uruguaio das Relações Exteriores, Roberto Conde, confirmou que Montevidéu reconhecerá o Estado palestino em 2011. "Estamos trabalhando na possibilidade de abrir representação diplomática na Palestina, certamente em Ramallah", afirmou Conde. "Já comunicamos nossa intenção à Autoridade Palestina", disse.

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