Após ciclone, Mianmar pode ser atingida por epidemias, diz ONU

A Organização das Nações Unidas(ONU) vem intensificando em Mianmar seus esforços de combate àmalária, ao cólera e a outras doenças que representam hoje amaior ameaça aos milhões de pessoas deixados desabrigados pelapassagem do ciclone Nargis, neste mês, afirmou na quinta-feirauma importante autoridade da entidade mundial. Poças de água parada resultantes do ciclone e de uma colunade água vinda do mar, que expulsaram 2,4 milhões de pessoas desuas casas, criaram condições ideais para a proliferação damalária e da dengue, disse o diretor-geral assistente daOrganização Mundial da Saúde (OMS), Eric Laroche. Laroche comanda a operação internacional na área da saúdeconvocada para agir depois da passagem do ciclone Nargis, queatingiu a fértil região do delta de Irrawaddy, em Mianmar, nodia 2 de maio. "A maior ameaça hoje em termos de saúde são as doençastransmissíveis", disse a autoridade um dia depois de voltar deuma visita a Yangun. Mianmar atravessa neste momento o períododas monções, época na qual costumam ocorrer surtos de malária,dengue e cólera, afirmou Laroche. O governo do país asiático encarava qualquer caso dediarréia aguda como um caso de cólera em potencial, disse aautoridade da OMS. Organizações não-governamentais registraram surtos decólera, mas nenhum foi ainda checado e o governo não confirmounenhum deles. A OMS comanda uma parceria com organizações oficiais,privadas e não-governamentais em Mianmar para enfrentar a criseatual. A entidade aprovou um plano de ação de 28 milhões dedólares a serem gastos ao longo de seis meses, incluindo 10milhões diretamente em operações da OMS. Outra prioridade é reconstruir as estruturas de atendimentomédico de Mianmar. O governo já convocou empresas particularesa fim de ajudarem a reerguer escolas e hospitais. Além disso, a fome no caso dos que perderam suas casas ouque não conseguem mais plantar representa um risco para a saúdeda população. "Quanto mais subnutrido alguém estiver, mais propensoestará a ser contaminado", afirmou Laroche. Segundo o dirigente da OMS, as autoridades de Mianmarvinham aceitando com muito mais facilidade a presença no paísde estrangeiros que participam de grupos de ajuda, aos quaisestava sendo concedido acesso às áreas afetadas do delta deIrrawaddy. O regime militar do país viu-se criticado por demorar paraautorizar uma operação humanitária internacional de grandeescala logo após o ciclone, que deixou 134 mil pessoas mortasou desaparecidas. As palavras dele contrastavam, no entanto, com as docoordenador da ONU em Mianmar para ações humanitárias, DanBaker, que havia dito antes que os entraves burocráticoscontinuavam dificultando o acesso à região do delta. (Reportagem de Jonathan Lynn)

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