Marc Mueller / EFE
Marc Mueller / EFE

Após cinco anos de debates, tribunal alemão condena neonazista à prisão perpétua

Beate Zschäpe, de 43 anos, é acusada de assassinar, entre 2000 e 2007, oito turcos ou pessoas de origem turca, um grego e uma policial alemã, além de participar de dois atentados contra comunidades estrangeiras e 15 assaltos a bancos

O Estado de S.Paulo

11 Julho 2018 | 07h44

MUNIQUE, ALEMANHA - Após mais de cinco anos de debates, um tribunal alemão condenou nesta quarta-feira, 11, à prisão perpétua Beate Zschäpe, de 43 anos, por sua participação em vários assassinatos como integrante de um pequeno grupo neonazista, um caso que provocou grande comoção na Alemanha.

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O tribunal de Munique também impede que a acusada, única integrante viva do trio Clandestinidade Nacional Socialista (NSU), solicite liberdade condicional antes de 15 anos, em consequência da “gravidade de seus crimes”. A pena está de acordo com o que havia sido solicitado a Promotoria em 2017.

Zschäpe era julgada desde maio de 2013 pelo assassinato de oito turcos ou pessoas de origem turca, um grego e uma policial alemã, entre 2000 e 2007. Durante os cinco anos de julgamento, ela falou em poucas ocasiões e negou sua responsabilidade nos assassinatos. No fim do processo afirmou que, para ela, a ideologia de extrema direita não tinha importância.

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Zschäpe também foi condenada na quarta-feira, 11, por dois atentados contra comunidades estrangeiras e 15 assaltos a bancos cometidos pelo NSU, que ela formava com Uwe Mundlos e Uwe Böhnhardt, que passou 14 anos na clandestinidade. Outros quatro neonazistas, suspeitos de ajudar o trio com a logística, foram condenados a penas que vão de 2 anos e 6 meses a 10 anos de prisão.

Promotores disseram que Zschäpe desempenhou um papel importante nos bastidores, planejando os assassinatos e conseguindo dinheiro e álibis. Os assassinatos abalaram a Alemanha, que acreditava já ter aprendido com as lições do passado nazista. 

Um relatório de 2014 disse que a polícia alemã havia subestimado o risco da violência de extrema direita no país e uma série de erros havia permitido que o grupo atuasse sem ser detectado.

Em novembro de 2011, a polícia encontrou Mundlos e Böhnhardt mortos a tiros no momento em que seriam detidos. Os investigadores acreditam que eles cometeram suicídio ou que um deles matou o cúmplice antes de tirar a própria vida.

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Julgamento. Zschäpe está há quase sete anos em prisão preventiva, desde que se entregou à polícia, em 8 de novembro de 2011, quatro dias depois que os seus dois companheiros se suicidaram. Segundo a polícia, ela incendiou o apartamento que compartilhavam em Zwickau, no leste da Alemanha, com o objetivo de apagar qualquer vestígio dos crimes, mas as chamas não conseguiram eliminar parte do material incriminatório. 

Zschäpe também enviou cartas à imprensa alemã e um DVD para associações muçulmanas que revelavam, combinando imagens de seus crimes com cenas do desenho da Pantera Cor-de-Rosa, em um contexto ultradireitista que a polícia tinha esquecido.

O processo, no qual já foram realizadas quase 440 audiências, começou em 2013 com um texto da acusação de 488 páginas. Atualmente, os autos já somam cerca de 500 mil páginas.

Durante os mais de cinco anos e meio de julgamento, foram convocadas 540 testemunhas, realizadas 263 solicitações de recebimento de provas e a acusação particular, com 58 advogados, representou 91 demandantes, a maioria deles parentes das vítimas. / AFP e EFE

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