Após cinzas de vulcão, Patagônia argentina tem neve

Depois de cinco dias sem queda de cinzas do vulcão chileno Puyehue, as cidades da Patagônia argentina têm as primeiras nevascas da temporada de inverno, enquanto os empresários e lojistas fazem as contas dos prejuízos. Somente em Bariloche (Rio Negro), Villa La Angostura e San Martín de Los Andes (Neuquén), destinos turísticos mais afetados pelo material vulcânico, a perda inicial oficial é 600 milhões de pesos (US$ 150 milhões), mas poderá chegar a estimados 2,6 bilhões de pesos (US$ 650 milhões).

MARINA GUIMARÃES, CORRESPONDENTE, Agência Estado

20 de junho de 2011 | 18h41

Em Villa La Angostura, as perdas atingiriam 900 empresas e 3.500 postos de trabalho, com um total estimado em 200 milhões de pesos (US$ 50 milhões). A avaliação foi feita por representantes da Câmara de Comércio, Associação de Hotéis e Restaurantes, Colégio de Arquitetos, Conselho Profissional de Agrimensura, Geologia e Engenharia e outros. Os especialistas consideram não só a temporada de inverno, mas danos ao meio ambiente, no médio e longo prazos.

Os cálculos foram feitos a partir do faturamento do turismo na região no ano passado. O estudo informa que os estragos poderiam se prolongar por todo o ano e também em 2012. Villa La Angostura foi muito mais afetada que as demais cidades, já que se encontra a apenas 40 quilômetros do vulcão. Até a manhã de hoje, 60% do povoado ainda se encontravam sem energia elétrica. Quase 70 casas correm risco de desmoronamento. Dos 11.087 moradores, cerca de 4.000 abandonaram a cidade.

Mutirão

A Administração Federal anunciou, no fim de semana, o envio de 5 milhões de pesos (US$ 1,25 milhão) para atender o estado de emergência de Villa La Angostura, declarada "zona de desastre". Em Bariloche, a situação é um pouco melhor e as comunidades dependentes da indústria do turismo se apressam para tentar reabrir suas portas aos visitantes. Um mutirão de três mil pessoas trabalha para limpar Bariloche e devolver o verde de suas árvores e o encanto do lago Nahuel Huapi. A operação de limpeza foi convocada através da rede social Facebook para aproveitar o feriado nacional pelo Dia da Bandeira, hoje.

O secretário de Turismo de Bariloche, Daniel Gonzalez, explicou à Agência Estado que a população está animada e fazendo de tudo para restituir a beleza da região. "A temporada não está perdida e, prova disso, é essa demonstração de solidariedade dos moradores de toda a região para deixar tudo limpo", disse ele. Gonzalez explicou que "todos os acessos terrestres a Bariloche e à região dos Sete Lagos estão liberados". Só falta, agora, disse ele, "reabrir o aeroporto".

O aeroporto de Bariloche e terminais de outras cidades da região da Patagônia estão fechados desde o dia 4, quando o vulcão entrou em erupção. A estimativa inicial era de reabrir os aeroportos nos dias 21 ou 22 de junho, mas as autoridades aeroportuárias calculam que isso só será possível após o dia 30 de junho, segundo estimativas do secretário. De Buenos Aires até Bariloche são 1.700 quilômetros, uma viagem terrestre de cerca de 14 horas. "A beleza daqui vale qualquer viagem", afirmou, ressaltando que o centro de esqui Catedral já tem neve até a metade do morro. "Esperamos que até o início de julho o Catedral vai estar todo coberto de neve", disse.

De ônibus

O presidente da Associação Empresarial Hoteleira Gastronômica de Bariloche (AEHGB), Rubén Kodjaian, já não se mostra tão otimista. Segundo ele, em julho, 45% dos turistas estrangeiros (maioria de brasileiros) chegam a Bariloche de avião. Ele explicou que esse segmento não pretende viajar de carro ou de ônibus e manterá os cancelamentos se o aeroporto continuar fechado. A Secretaria de Turismo estima que Bariloche registra um prejuízo de 400 milhões de pesos (US$ 100 milhões). Kodjaian calcula que, desde o início da atividade do vulcão, o prejuízo em toda a região atingida pelo vulcão pode ter atingido dois bilhões de pesos (US$ 500 milhões).

No entanto, as reservas de julho ainda não estão totalmente afetadas, já que "as viagens de formaturas estão sendo retomadas", afirmou o empresário, em relação à tradicional viagem que os estudantes argentinos costumam fazer no último ano antes de entrar na faculdade.

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