REUTERS/Danish Siddiqui
REUTERS/Danish Siddiqui

Após colapso, casos de covid na Índia caem para menor patamar em três semanas

Apesar da melhora, número de testes realizados nas últimas 24 horas é considerado baixo; país soma 24,3 milhões de infecções

Redação, O Estado de S.Paulo

15 de maio de 2021 | 06h07

Após semanas batendo recordes consecutivos de infecções, a Índia registrou 326.098 novos casos de coronavírus neste sábado, 15, o menor número desde 26 de abril. De acordo com os últimos dados divulgados pelo Ministério da Saúde, o total de testes positivos para covid-19 desde o início da pandemia aumentou para 24,3 milhões. Apesar da desaleração do contágio, autoridades ainda consideram crítica a disseminação do vírus em áreas rurais, onde a cobertura de saúde é menor. 

Houve uma ligeira queda também no número de mortes. O país registrou 3.890 óbitos por covid nas últimas 24 horas, após três dias ultrapassando o patamar de 4 mil mortes diárias. 

Autoridades de Nova Delhi, cidade onde o número de casos diários caiu para menos de 10 mil pela primeira vez desde 10 de abril, expressaram alívio pela melhora da situação, semanas depois de o sistema de saúde do país entrar em colapso, com hospitais superlotados e escassez de oxigênio medicinal.

Por outro lado, o chefe de governo da capital, Arvind Kejriwal, alerta para outro possível recrudescimento da pandemia. "Presenciamos tempos muito difíceis no mês passado, e se não tomarmos cuidado e pararmos de seguir as regras de distanciamento social, os casos podem aumentar novamente”, disse. 

Embora os dados mais recentes sejam encorajadores, o número de testes realizados nas últimas 24 horas foi de apenas 1,6 milhão, considerado baixo. Outro ponto crítico é a campanha de vacinação que, apesar de ser apontada como a única saída para a crise, não tem alcançado o índice esperado de inoculações, com várias regiões do país denunciando escassez de doses.

A Índia administrou apenas 1,1 milhão de doses nas últimas 24 horas, elevando o número total de vacinas aplicadas para 180 milhões. Isso representa pouco mais de 2% dos 1,35 bilhão de habitantes do país.

Colapso

O aumento expressivo de casos na Índia foi atribuído em parte ao relaxamento de medidas restritivas e à organização de eventos com grande público, como comícios eleitorais e festivais religiosos. O governo do primeiro-ministro Narendra Modi reconheceu, no entanto, que o recrudescimento da pandemia tem uma forte correlação com a maior presença da variante mais agressiva e "duplo mutante" do vírus, conhecida como B.1.617.

Além de resultar em escassez de oxigênio e de insumos básicos para internações, o colapso no sistema de saúde levou o país a uma sucessão de acidentes hospitalares. 

No dia 21 de abril, 24 internados com covid morreram devido a um vazamento de oxigênio em um hospital em Nashik, no estado de Maharashtra. Dois dias depois, um incêndio em uma UTI no mesmo estado deixou pelo menos 13 vítimas fatais. Em 1º de maio, outro incêndio matou 16 pacientes de covid e duas enfermeiras em um hospital no estado de Gujarat.

Outra consequência da sucessão de recordes de infecções foi o fechamento de fronteiras internacionais. Países como Sri Lanka, Bangladesh e Nepal estão entre os que suspenderam a entrada de voos vindos da Índia. A medida, contudo, não foi o suficiente para impedir que a explosão de casos se alastrasse pelo Himalaia. Vizinho, o Nepal registrou 57 vezes mais infecções pelo coronavírus em maio do que no mês anterior. 

Diante da situação, Modi vem enfrentando pressão crescente para impor uma coordenação nacional com bloqueios severos em todo o país. Embora mantenha diálogo com líderes sanitários, governadores e com a população, ele tem deixado para os governos estaduais a responsabilidade de combater o vírus, atitude pela qual é criticado. 

Anthony Fauci, médico conselheiro do presidente Joe Biden, também sugeriu que uma paralisação completa de duas a quatro semanas na Índia pode ser necessária para ajudar a aliviar o surto de infecções. "Assim que os casos começarem a cair, será possível vacinar mais pessoas e se antecipar à trajetória da pandemia", disse./AP e EFE

 

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