Após combates, governo afegão negocia trégua

O governo central do Afeganistão conseguiu negociar nesta segunda-feira uma trégua entre as facções rivais do oeste do país, encerrando três dias de violentos confrontos que deixaram mais de 60 mortos na região, civis em sua maioria. A obtenção do cessar-fogo foi um raro êxito do governo do presidente Hamid Karzai, cuja influência é limitada à capital, Cabul. O restante do país está nas mãos de senhores da guerra que comandam seus próprios exércitos.Os choques entre as forças do comandante pashtun Ammanullah Khan e os homens do governo tajique da província de Herat, de Ismail Khan, começaram no sábado em diversas aldeias de Zer-e-Koh, 24 quilômetros ao sul da base aérea de Shindand, onde forças especiais dos Estados Unidos comandam uma pequena base.Uma delegação de quatro homens do governo liderada pelo ministro de Assuntos Urbanos, Yusuf Pashtun, viajou hoje a Herat, onde se reuniu com Ismail Khan. Mais tarde, a delegação foi a Zer-e-Koh para encontrar Ammanullah Khan, disse o comandante Noor Mohammad Askar, porta-voz de Ammanullah. "Eles conversaram com os dois lados, convencendo-os a parar", disse Askar. "Não houve mais nenhum choque desde o fim da tarde de hoje."Os combates foram dos mais violentos deste ano no oeste do Afeganistão. Ammanullah Khan acusa as tropas rivais de terem bombardeado a região de Zer-e-Koh e tentado em diversas ocasiões romper as linhas de frente. Antes do fim dos choques, pelo menos 51 civis haviam sido mortos, a maior parte em ataques de foguete, disse Askar. Não estava claro qual lado era responsável pelas mortes. Ammanullah Khan também admitiu ter perdido 11 homens em combate. No campo de batalha, havia o cadáver de um soldado de Ismail Khan, mas não se sabe ao certo quantos homens o governador de Herat perdeu nos conflitos.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.