Após comunicado pessimista, ministro diz que situação de Chávez é 'estável'

O presidente venezuelano, Hugo Chávez, passou o último dia de 2012 "tranquilo e estável", afirmou ontem o ministro de Ciência e Tecnologia do país, Jorge Arreaza. As celebrações de fim de ano na Venezuela foram canceladas em razão da apreensão com o estado de saúde do mandatário, internado em Cuba após sua quarta cirurgia contra um câncer.

CARACAS, O Estado de S.Paulo

02 de janeiro de 2013 | 02h04

Na noite do domingo, o vice-presidente Nicolás Maduro, que também está em Havana, anunciara que o quadro de Chávez tinha apresentado uma piora e a situação era "delicada". Ontem à noite, em meio a rumores de que o presidente estava em coma induzido, Maduro foi à rede chavista TeleSUR para desmentir as informações e dizer que o líder está "totalmente consciente" e "segue evoluindo, apesar da atual situação complicada".

"(Chávez) pediu que mantenhamos o povo informado sobre a verdade, por mais dura que ela seja", garantiu Maduro, de Cuba, culpando "jornalistas da direita venezuelana, doentes mentais" que lançaram o que ele chamou de "campanha mal intencionada de desinformação".

"(O presidente) tem confiança infinita e absoluta no futuro do povo venezuelano", afirmou Maduro, falando de modo enfático. "Nossa revolução desfruta de fortaleza espiritual." Em seguida, completou: "Vamos enfrentar qualquer circunstância. Já enfrentamos golpes e enfrentaremos outras adversidades."

Arreaza, genro de Chávez, divulgou por seu perfil no Twitter que o presidente esteve com suas filhas no dia 31. O ministro também pediu aos compatriotas que "não creiam em rumores mal intencionados". Boatos sobre a piora nas condições de Chávez e até sobre sua morte circulam há alguns dias em redes sociais.

Na véspera do ano-novo, um ato ecumênico reuniu apoiadores do presidente em uma igreja da capital, Caracas.

Centenas de partidários de Chávez também se reuniram na Praça Bolívar para ouvir uma mensagem lida por Maduro, designado sucessor pelo próprio presidente antes de embarcar no dia 10 para ser submetido à cirurgia.

Oposição. O candidato derrotado à presidência em outubro e líder da oposição, Henrique Capriles, manifestou-se ontem pela primeira vez e pediu aos venezuelanos que não deem ouvidos a "rumores de ódio". "Gastemos energia em construir, e não destruir", afirmou Capriles, reeleito governador de Miranda.

O ministro da Informação, Ernesto Villegas, usou o Twitter para negar afirmações feitas em perfis falsos do sucessor direto de Chávez. "O VP (vice-presidente) Nicolás Maduro me pediu para informar que ele não tem conta no Twitter. Cuidado. Alerta. Querem manipular com contas falsas", declarou.

Apesar de sua situação delicada, o governo de Caracas divulgou uma "nota do presidente Chávez" saudando "o povo cubano pelos 54 anos da Revolução".

Por sua vez, o presidente da Bolívia, Evo Morales, enviou uma mensagem de ano-novo a Chávez lamentando a "tremenda ausência" e desejando "muita força" na recuperação.

Outro aliado do líder bolivariano, o presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, participou de uma missa campal pela saúde do aliado venezuelano.

O arcebispo de Caracas, cardeal Jorge Urosa, também se pronunciou ontem sobre a situação de Chávez e declarou que todas as dúvidas "serão dissipadas no dia 10". A data é a marcada para a posse do novo mandato de Chávez, conquistado na eleição de outubro.

"Em primeiro lugar, vamos orar pela saúde do presidente Chávez que, como disse o vice-presidente Maduro, se encontra em estado delicado", afirmou.

A falta de informações mais completas sobre o estado de saúde de Chávez provocou um ambiente de incerteza a respeito da posse presidencial do dia 10. Na hipótese de ausência definitiva do presidente, novas eleições terão de ser convocadas em um prazo de 30 dias.

Aliados do presidente, porém, já cogitaram a possibilidade de um adiamento na data prevista para o início do novo mandato. No dia 24, o chanceler venezuelano declarou que, caso não possa ser juramentado na capital na data prevista, Chávez poderá tomar posse "perante o Tribunal Superior de Justiça", em prazo a definir. / AP

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