Após concordar em sair, presidente do Iêmen chama protestos de 'golpe'

Saleh, que aceitou proposta para entregar o poder, acusa a Al-Qaeda de participar de protestos

BBC

24 de abril de 2011 | 10h54

SANAA - O presidente do Iêmen, Ali Abdullah Saleh, afirmou neste domingo, 24, que os protestos pedindo a sua saída são uma tentativa de golpe. A afirmação ocorreu um dia depois de ele aceitar uma proposta para deixar o poder, em troca de imunidade.

 

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"Isto é um golpe. Vocês dos Estados Unidos e do ocidente me dizem para entregar o poder. A quem eu devo entregá-lo? Àqueles que estão tentando fazer um golpe?", afirmou o presidente em uma entrevista à BBC. "Nós faremos isto por meio das urnas e dos referendos. Nós convidaremos observadores internacionais para monitorar - mas um golpe não é aceitável", disse.

Nesse sábado, o presidente aceitou um plano elaborado por países do Golfo Pérsico, que prevê a entrega do poder a seu vice no prazo de 30 dias, como uma saída para a crise política do país. Há dois meses, diversas manifestações populares pedem reformas democráticas no Iêmen, além da saída imediata de Saleh - que está no poder há 32 anos.

 

Além da transferência de poder, o plano prevê que o presidente nomeie um integrante da oposição para liderar um governo interino que deve preparar eleições dentro de dois meses. Segundo a proposta, Saleh, sua família e assessores receberão imunidade e não poderão ser processados. Integrantes da oposição iemenita já afirmaram que não aceitam este ponto do acordo.

 

 

Al-Qaeda

Na entrevista à BBC, Saleh disse que a rede Al-Qaeda se infiltrou entre os manifestantes iemenitas. "Na Rua da Universidade (local dos acampamentos de manifestantes), há uma mistura de nasseristas (partidários da ideologia nacionalista do ex-presidente egípcio Gamal Abdel Nasser), socialistas, integrantes da Irmandade Muçulmana e a Al-Qaeda", afirmou o presidente.

Saleh também acusa a Al-Qaeda de, em meio aos protestos, bloquear estradas e de cortar dutos de combustível, prejudicando o abastecimento no país. "Quem está fazendo isto? É a Al-Qaeda. Por que o ocidente não está olhando para este trabalho destrutivo e as suas perigosas implicações para o futuro?", afirmou. "O ocidente criou a Al-Qaeda durante a Guerra Fria no Afeganistão. Agora o ocidente paga o preço por seu apoio à Al-Qaeda. Agora eles ignoram o que a Al-Qaeda está fazendo no Iêmen e eles pagarão o preço", disse Saleh.

Se Saleh deixar o poder como previsto, se tornará o terceiro líder árabe a perder o cargo após a onda de levantes populares que atingiu a região este ano, após Zine al-Abidine Ben Ali na Tunísia e Hosni Mubarak no Egito.

Violência

O regime de Saleh usou da violência para conter a insurgência no país. Pelo menos 120 pessoas morreram nos protestos contra o governo desde fevereiro. O presidente também ofereceu concessões, como a promessa de que não concorreria à reeleição depois do fim de seu mandato, em 2013, e que seu filho não concorrerá ao cargo.

Segundo a correspondente da BBC em Sanaa Lina Sinjab, o enfraquecido governo iemenita tem pouco controle sobre a capital. Nos últimos anos, as Forças Armadas do país têm combatido uma rebelião armada no norte, além de um movimento separatista no sul.

 

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