Doug Mills/EFE
Doug Mills/EFE

Após condenação de policial, Biden denuncia 'racismo sistêmico' nos EUA; veja mais reações

Além do presidente, ativistas, políticos e personalidades de diferentes setores celebraram a decisão do júri de condenar Derek Chauvin pelo assassinato de George Floyd

Redação, O Estado de S.Paulo

20 de abril de 2021 | 21h44

WASHINGTON - O presidente americano, Joe Biden, denunciou nesta terça-feira, 20, o "racismo sistêmico" que "mancha" a alma dos Estados Unidos, após o julgamento em que o ex-policial branco Derek Chauvin foi condenado pela morte do homem negro George Floyd

"O veredicto de culpa não trará George de volta", disse na Casa Branca em um breve discurso televisionado. Mas pode marcar o momento de uma "mudança significativa", acrescentou, pedindo unidade à nação e para não deixar que os "extremistas que não têm nenhum interesse na justiça social" tenham "êxito".

A vice-presidente americana, Kamala Harris, também discursou na Casa Branca e disse que todo o país faz parte do legado de George Floyd, após declarar seu "alívio" com o veredicto contra Chauvin. 

A primeira vice-presidente negra dos EUA ponderou que ainda há "muito a fazer" para combater a "injustiça racial", "um problema para todo americano", não apenas para negros, latinos ou aqueles com raízes asiáticas ou indígenas.

"Todos nós fazemos parte do legado de George Floyd. E nosso trabalho agora é honrar esse legado, homenageá-lo", disse. Kamala enfatizou que os EUA têm "uma longa história de racismo sistêmico", que está "impedindo" o país "de cumprir sua promessa de liberdade e justiça para todos".

Além do presidente e sua vice, ativistas, políticos e personalidades de diferentes setores celebraram a decisão do júri de condenar Chauvin. Ao mesmo tempo, cresceram os pedidos por uma reforma do sistema policial no Estados Unidos. 

O veredicto dos jurados em Mineápolis, que por unanimidade decidiu declarar Chauvin culpado, desencadeou uma avalanche de reações em torno deste julgamento que tem colocado o país em suspense.

O ex-presidente americano Barack Obama, primeiro presidente negro dos EUA, emitiu um comunicado conjunto com sua mulher, Michelle, afirmando que a "verdadeira justiça requer mais". "Hoje (terça-feira), o júri fez a coisa certa. Mas a verdadeira justiça requer muito mais. Michelle e eu enviamos nossas orações para a família Floyd e nos posicionamos ao lado de todos aqueles que estão comprometidos em garantir a cada americano a medida total de justiça que a George e a todos outros foi negado." 

"Obrigado George Floyd por sacrificar sua vida", disse a presidente da Câmara, Nancy Pelosi, em uma aparição improvisada na mídia ao lado de congressistas da bancada negra. Pelosi, que considerou que graças a ele e “aos milhões de pessoas que se manifestaram em defesa da justiça, o seu nome será sempre sinônimo de justiça”.

Outro renomado democrata, o senador de origem hispânica Bob Menéndez, lembrou que Chauvin colocou o joelho no pescoço de Floyd "por 9 minutos e 29 segundos sem levar em conta sua vida" e agradeceu ao júri por ter concedido a justiça que Floyd merecia. 

"Pela primeira vez na história do Estado de Minnesota, um policial branco foi considerado responsável pela morte de um homem negro", disse a União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU, por sua sigla em inglês) em sua conta no Twitter.

Para Entender

O caso George Floyd

Homem negro de 46 anos foi morto por policial branco durante abordagem; desencadeados pelo assassinato, protestos contra o racismo e a violência policial eclodiram nos EUA e no mundo

A organização, reconhecida por sua ação em prol dos direitos humanos no país, acrescentou que “a verdadeira justiça para George Floyd” significa renovar a “convicção de criar um mundo em que a Polícia não tenha a oportunidade de usar da violência para atacar os negros".

A chefe da Human Rights Watch (HRW) nos Estados Unidos, Nicole Austin-Hillery, seguiu a mesma linha, indicando que a condenação de Chauvin "é uma vingança para a família de George Floyd, mas não muda a necessidade urgente de uma reforma abrangente do Polícia ".

O diretor executivo da Amnistia Internacional (AI) para os EUA, Paul O'Brien, disse por sua vez que "os agentes que usam força excessiva devem ser levados à justiça" e considerou que o fato de Chauvin "ser responsabilizado pela morte de George Floyd é a exceção, não a regra"./AFP, EFE e AP

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