Yahya Ahmad/Reuters
Yahya Ahmad/Reuters

Após condenar alemã à morte, tribunal em Bagdá sentencia filha à perpétua 

As duas alemãs foram pegas no Iraque e acusadas de pertencer ao Estado Islâmico; francês também foi condenado, apesar de alegar que foi ao país apenas para tirar o filho do grupo terrorista   

O Estado de S.Paulo

06 Agosto 2018 | 16h43

BAGDÁ - Uma corte iraquiana sentenciou uma alemã à prisão perpétua nesta segunda-feira, 6, por pertencer ao Estado Islâmico, avançando com o julgamento de centenas de pessoas - muitos estrangeiros - capturados após a derrota do grupo terrorista no ano passado. Sua mãe já havia sido condenada à morte em janeiro, mas sua pena foi comutada em abril para perpétua. 

O Iraque tem processado mulheres de várias nacionalidades por meses e agora está sentenciando cerca de dez delas por dia no pico de sentenças dos últimos meses. Cerca de 20 estrangeiras, incluindo cidadãs da Turquia, Alemanha e Azerbaijão já foram condenadas à morte acusadas de pertencer ao Estado Islâmico. 

O cidadão francês identificado como Lahcen Ammar Gueboudj, de cerca de 50 anos, e a alemã, Nadia Rainer Hermann, de 22, admitiram ser culpados de se juntar ao grupo Estado Islâmico que capturou um terço do território iraquiano e partes da Síria em 2014. 

Os dois foram julgados individualmente, mas foram levados juntos com outras 13 pessoas à corte nesta segunda-feira para ouvirem suas sentenças, lotando a sala de audiência. Durante a sessão de 30 minutos de Gueboudj, ele afirmou ter entrado na região apenas para tentar resgatar seu filho que havia se juntado ao Estado Islâmico e vivia na capital do chamado califado do grupo, em Raqqqa, Síria. 

"Eu nunca deixaria a França se meu filho não tivesse na Síria", ele disse ao juiz, por meio de um tradutor, na Corte Criminal Central de Bagdá. "Eu sei que foi uma loucura ter ido até a Síria." 

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Conversando com a agência Reuters através das barras da sua cela na sala de audiência antes de ser sentencidado, Gueboudj disse ter assinado alguns papéis que ele não tinha entendido que na verdade se tratavam de uma confissão durante a investigação. 

Hermann e Gueboudj disseram à agência que conversaram com diplomatas de seus países apenas uma vez desde que foram presos em 2017.

A defesa deles foi feita por advogados apontados pela corte hoje, mas não tiveram nenhum contato ou conversado com eles. Os condenados podem apelar da sentença. 

Representantes das embaixadas e tradutores dos dois países compareceram à sessão de hoje. Hermann jaá havia sido sentenciada em janeiro a um ano de prisão por entrar ilegalmente no Iraque. 

Questionada pelo juiz se ela acreditava na ideologia do Estado Islâmico, ela respondeu que não. No entanto, ela admitiu mais cedo ao juiz ter recebido um salário de 50 dinares iraquianos (US$ 42) por mês, confirmando sua associação com o grupo. 

"Todo o processo é uma confusão", disse Hermann, usando um uniforme azul com uma abaya preta e um lenço cinza, antes do veredito, conversando em alemão da sua cela na audiência. Ela foi a única mulher a ser condenada por estar relacionada ao Estado Islâmico hoje. / REUTERS  

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