Após confrontos, estudantes e governo de Hong Kong mantêm posições antes de diálogo

Estudantes e o governo de Hong Kong se mantiveram firmes em suas posições nesta segunda-feira antes das negociações para encerrar mais de três semanas de protestos pró-democracia que têm bloqueado o trânsito da cidade, governada pela China, mas as expectativas de um avanço nas conversas é pequena.

DONNY KWOK E JOHN RUWITCH, REUTERS

20 de outubro de 2014 | 09h37

Protestos liderados por estudantes pedem eleições livres na ex-colônia britânica, mas a China insiste em avaliar e selecionar os candidatos primeiro. O atual líder da cidade, Leung Chun-ying, apoiado por Pequim, tem dito que o governo local não estava disposto a contestar as restrições da China.

As conversações entre representantes dos estudantes e altos oficiais do governo da cidade, marcada para terça-feira à noite, podem render pequenas medidas para construir confiança entre os lados, e um acordo para continuar o diálogo, mas analistas preveem que não devem resultar em um grande avanço nem encerrar as demonstrações.

“Eu não espero muito da reunião de amanhã, mas ainda tenho alguma esperança nas conversas”, disse o manifestante Woody Wond, de 21 anos, que acampou durante a noite em Nathan Road, a principal via do densamente povoado distrito de Mong Kok.

“Continuarei fazendo isso até que o governo nos ouça.”

Dezenas de pessoas ficaram feridas em duas noites de confrontos no fim de semana em Mong Kok, incluindo 22 policiais e membros da imprensa. Quatro pessoas foram presas por agressão, disse a polícia.

A área estava calma nesta segunda-feira, embora diversos manifestantes tenham permanecido nas ruas.

As conversas de terça-feira, que serão transmitidas ao vivo, oferecem uma rada oportunidade para tentar aliviar os piores riscos políticos em Hong Kong desde que a Grã-Bretanha entregou o controle da cidade à China em 1997. O governo cancelou conversas marcadas no começo deste mês após os estudantes terem defendido a expansão dos protestos.

“Até agora, não vimos esperança de que eles alcançarão algum acordo nas próximas semanas, porque ambos os lados têm expectativas diferentes de diálogo”, disse James Sung, um analista político da Universidade de Hong Kong.

O poder de negociação do governo de Hong Kong está bastante limitado pelo Partido Comunista chinês, o qual, no fim de agosto, anunciou os parâmetros para a eleição de 2017 do próximo líder da cidade, o que motivou os protestos.

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