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Após confrontos, Evo condena repressão e pede fim do ‘massacre’

Ao menos oito pessoas morreram durante distúrbios perto da cidade de Cochabamba na sexta; ex-presidente defende que única saída para crise no país é uma reunião com todos os setores políticos, com ou sem mediação internacional

Redação, O Estado de S.Paulo

16 de novembro de 2019 | 11h00
Atualizado 16 de novembro de 2019 | 21h12

CIDADE DO MÉXICO - O ex-presidente da Bolívia Evo Morales condenou na sexta-feira, 15, a repressão a grupos cocaleiros perto de Cochabamba, ação que deixou 9 mortos e 132 feridos, e pediu para que as Forças Armadas e a polícia "parem o massacre".

"Condeno e denuncio ao mundo que o regime golpista que tomou o poder por assalto em minha querida Bolívia reprime com balas das Forças Armadas e da polícia o povo que pede pacificação e a reposição do Estado de direito", escreveu Evo no Twitter.

Ao menos oito pessoas - possivelmente manifestantes de grupos cocaleiros - morreram durante distúrbios perto da cidade de Cochabamba, onde houve graves choques com as forças da ordem.

Evo pediu às Forças Armadas e à polícia que "parem o massacre" porque "o uniforme das instituições da pátria não pode ser manchado com o sangue do povo".

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"Agora, assassinam nossos irmãos em Sacaba, Cochabamba", afirmou o ex-presidente, que está no México, após renunciar à presidência da Bolívia e aceitar o asilo oferecido pelo governo do país.

O ex-presidente ainda classificou como "ditadura" o governo da presidente interina Jeanine Áñez, citando também os opositores Carlos Mesa e Luis Fernando Camacho.

"Para justificar o golpe, Mesa e Camacho nos acusaram de 'ditadura'. Agora sua 'presidenta' autoproclamada e seu gabinete de advogados defensores de violadores e repressores massacra o povo com as Forças Armadas e a polícia como a verdadeira ditadura", disse. 

Evo rejeita acusações

Em entrevista à emissora CNN, Evo Morales afirmou que a única saída para a crise e para pacificar a Bolívia é a realização de uma reunião nacional com todos os setores políticos, com ou sem mediação internacional.

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“A melhor forma de pacificar neste momento é uma reunião na qual estejam presentes Camacho, Mesa, Evo, os movimentos sociais e o governo de fato”, afirmou o ex-presidente.

Ele também rejeitou as acusações da presidente interina, Jeanine Áñez, que disse que, se Evo voltar à Bolívia, deverá responder à Justiça pelas irregularidades nas eleições e atos de corrupção. 

O ex-presidente questionou “que crime eleitoral eu poderia ter cometido”, ao destacar que nunca pediu nada às autoridades. “Jamais cometi delito”, insistiu Evo. “Por que eles têm tanto medo de nós?", perguntou.

Governo interino quer dialogar com oposição

O governo de transição boliviano anunciou na sexta-feira que buscará dialogar com os setores pró-Evo. Em uma entrevista coletiva no Palácio do Governo em La Paz, o ministro da Presidência, Jerjes Justiniano, afirmou que viajará a Cochabamba para realizar “todos os esforços” para isso.

A autoridade ressaltou que a intenção do governo interino é conseguir se aproximar de todos os setores e não discriminar nenhum.

Questionado sobre a possibilidade de contar com a presença de mediadores para a crise no país, Justiniano disse que já pediram, por meio da chancelaria, que as Nações Unidas enviem uma “equipe especializada em mediação” à Bolívia. / EFE e AP

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