Após confrontos, soldados ocupam templo no Camboja

Centenas de soldados cambojanos acampam hoje no templo de Preah Vihear, um santuário do século XI d.C. e declarado patrimônio mundial da humanidade. Durante os últimos quatro dias, tropas cambojanas e tailandesas entraram em choque ao redor do templo, que teve partes danificadas pela artilharia. O governo do Camboja negou que tenha enviado soldados ao local, evitando a impressão de que colocou deliberadamente em perigo o conjunto arquitetônico e de que o tenha usado como escudo - e acusou a Tailândia de danificar o complexo ao desfechar um ataque com artilharia.

AE, Agência Estado

09 de fevereiro de 2011 | 11h57

Os confrontos começaram na sexta-feira da semana passada na região de fronteira, deixando oito mortos e dezenas de soldados feridos. Na segunda-feira, a situação se acalmou um pouco. A Tailândia acusou o Camboja de alojar soldados no templo e de disparar contra suas tropas a partir do complexo.

O Ministério das Relações Exteriores do Camboja disse hoje, em nota, que "nunca houve e nunca haverá guarnição de soldados cambojanos no templo de Preah Vihear. Este local sempre foi de oração e turismo". Apesar disso, jornalistas da Associated Press viram centenas de soldados cambojanos entrincheirados no complexo. "Nós estamos aqui para defender o templo", disse um soldado cambojano no complexo. "Quando os confrontos acabarem, nós iremos embora". O soldado não se identificou.

Os jornalistas puderam ver trincheiras e armas em várias partes dos prédios. Algumas paredes foram atingidas por disparos, mas não existem sinais de danos estruturais nas construções. A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) disse que planeja enviar uma equipe para avaliar os danos.

O templo hinduísta foi construído entre os séculos IX d.C. e XI d.C., em uma região onde hoje fica a fronteira entre a Tailândia e o Camboja. Originalmente, o templo era dedicado à divindade indiana Shiva e representa um dos poucos monumentos remanescentes do Império Khmer, que dominou os atuais Camboja e Tailândia, além de partes do Vietnã, Laos e Malásia.

Em 1962, após o templo ter sido ocupado por tropas tailandesas, a Corte Internacional de Justiça (CIJ) em Haia determinou que o templo fica no Camboja. Nacionalistas tailandeses, contudo, reivindicam uma parte do templo. As informações são da Associated Press.

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