Após conquistas no Iraque e na Síria, Estado Islâmico tem avanços na Líbia

BENGHAZI, LÍBIA - Ao fim de uma semana de importantes conquistas no Iraque e na Síria, o grupo radical Estado Islâmico (EI) infligiu ontem uma derrota ao fragmentado Exército da Líbia. Dezenove soldados morreram na tentativa fracassada de retomar Benghazi dos jihadistas em uma batalha que durou 24 horas. No restante do país, os militantes afiliados ao grupo radical reivindicaram a autoria de dois atentados suicidas.

O Estado de S.Paulo

23 de maio de 2015 | 02h01

Em Benghazi, o chefe do Exército, general Khalifa Hifter, está tentando romper com meses de impasse e reassumir o controle sobre a segunda maior cidade da Líbia. O Exército defende o governo internacionalmente reconhecido e apoiado pelas Nações Unidas.

Quase quatro anos após a queda e morte do ditador Muamar Kadafi, a Líbia está consumida pelo caos e dividida.

Um Parlamento eleito foi forçado a se realocar de Trípoli para as cidades de Tobruk e Bayda, no leste. Apesar do deslocamento, esse Legislativo conta com o reconhecimento internacional, além do apoio do Exército nacional.

A capital, Trípoli, passou a ser dominada por um outro Parlamento e outro governo, rivais do eleito, comandados por milícias ligadas aos jihadistas. Um conglomerado de grupos armados garante a proteção do governo de facto.

A investida de milícias ligadas ao Estado Islâmico, como a Majlis al-Shura, não encontrou resistência diante desse cenário. A Majlis al-Shura, além de Trípoli, comanda Benghazi atualmente. 

Em sua tentativa de retomar essa cidade dos jihadistas, que também fica no leste, Hifter lançou uma ofensiva que elegeu inicialmente como alvo o distrito de Al-Laithi, usado como fortaleza pelos militantes.

Na noite de quarta-feira, jatos das Forças Armadas líbias bombardearam vários pontos nesse distrito.

Apoiados por helicópteros, Forças Armadas especiais conseguiram retomar diversos e importantes prédios usados pelo governo na região. No entanto, de acordo com agências internacionais, apesar das declarações de Hifter de que domina a cidade, os combates não param de elevar o número de baixas, que ontem chegou a 19.

 

Ao mesmo tempo, milicianos ligados ao Estado Islâmico reivindicaram a responsabilidade por dois ataques recentes em cidades da Líbia.

Em Misrata, milicianos ligados à Majlis al-Shura disseram ter promovido o ataque suicida no qual um motorista jogou um carro-bomba em um posto de checagem a 60 km da cidade, matando um soldado e ferindo outros três. A autoria foi reivindicada em um texto publicado nas redes sociais.

O Estado Islâmico também assumiu a responsabilidade de um ataque ocorrido na quinta-feira, quando um homem-bomba detonou seus explosivos em outro posto de checagem, na cidade de Hawara, próximo de Sirte, região central do país.

Nos últimos meses, militantes do Estado Islâmico disseram ter sido os autores de uma série de ataques, incluindo contra um hotel em Trípoli e a morte de dezenas de egípcios e etíopes cristãos. / REUTERS e AP

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