Após contato com reféns, Seul busca diálogo com Taleban

Pesquisa aponta que sul-coreanos acreditam que EUA podem resolver seqüestro no Afeganistão

Efe,

06 de agosto de 2007 | 09h39

O governo de Seul está tentando estabelecer um diálogo direto com os taleban em uma tentativa de conseguir a libertação de 21 missionários seqüestrados há 19 dias, após ter entrado em contato pela primeira vez com um dos reféns.   Veja também:  Seul pede ajuda de ONGs islâmicas na negociação com Taleban  Taleban ameaça seqüestrar mais estrangeiros no Afeganistão   A agência sul-coreana Yonhap informou nesta segunda-feira, 6, que Seul analisa pedir a mediação de ONGs islâmicas para iniciar as negociações com o grupo insurgente.   Fontes oficiais disseram que a delegação sul-coreana no Afeganistão estabeleceu no sábado seu primeiro contato por telefone com um dos reféns, embora o conteúdo da conversa não tenha sido revelado por razões de segurança.   Dias atrás, Seul deixou claro que tem limitações para responder às exigências de libertar presos taleban e agora espera que o grupo rebelde altere suas reivindicações.   Um grupo de 23 missionários cristãos sul-coreanos, entre eles 16 mulheres, foi seqüestrado em 19 de julho pelos radicais. Dois deles foram executados depois que o governo afegão se negou a libertar os presos rebeldes.   Intervenção americana   Cabul e Washington afirmam que não há negociação possível  sobre a libertação de presos do grupo, apesar de as forças políticas sul-coreanas terem pedido flexibilidade aos dois governos para salvar as vidas dos reféns.   Segundo uma pesquisa divulgada nesta segunda pela Yonhap, 61,2% dos sul-coreanos acreditam que os Estados Unidos são o país que pode solucionar o conflito, contra 17,8% que acreditam que o governo afegão pode fazê-lo.   Apenas 14,5% consideram que a solução está nas mãos do governo sul-coreano. Para 59,3% dos entrevistados, os EUA deveriam alterar sua "postura irresponsável em relação a um país aliado", e 65,8% defendem a libertação dos presos talibãs para pôr fim ao longo cativeiro.   Além disso, 51% expressaram sua rejeição a uma ação militar para liberar os seqüestrados, enquanto 42,7% apoiaram esta opção.   Cerca de três semanas após o seqüestro, aumenta a preocupação com a vida dos reféns entre a opinião pública sul-coreana, que também reprova os seqüestrados por terem viajado para um país tão perigoso, apesar das advertências do governo.   "Eu fico com muita pena destes jovens seqüestrados, e não duvido que foram (ao Afeganistão) com boas intenções, mas penso que não tinham que ter ido a este país, sabendo como estava a situação", afirmou Lee Mim-jong, dona de casa de Seul.   Lee lembrou que o governo sul-coreano advertiu do risco de viajar a países em conflito e acredita que os reféns deveriam ter ouvido as autoridades.   Esta é uma opinião compartilhada por muitos sul-coreanos. Alguns, como a jovem Lee Hyun-jung, vão mais longe e criticam os missionários por terem colocado o país em apuros.   "Estou certo de que teríamos que dar algo em troca aos EUA e ao governo afegão para convencê-los a libertar presos taleban ou pagar um resgate ao grupo", ressaltou Lee, que acredita que é "esbanjar o dinheiro e a energia do país quando há outros problemas importantes a serem enfrentados".   Nos principais sites sul-coreanos surgiram nos últimos dias muitas críticas contra os responsáveis da Igreja evangélica que organizou a missão ao Afeganistão.   Os cidadãos censuram o fato de a Igreja organizar missões perigosas para espalhar suas crenças, custe o que custar.   Os familiares dos reféns estão preparando vídeos que serão divulgados no YouTube para pedir o apoio da comunidade internacional e facilitar a libertação dos seqüestrados.

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