AP Photo/Ferdinand Ostrop
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Após crises políticas e eleitorais, Merkel deixará presidência do partido e a carreira política

Governando sob uma "grande coalização", a chanceler alemã está no cargo desde 2005 e lidera a sigla conservadora de centro-direita União Democrata-Cristã (CDU) há 18 anos

O Estado de S.Paulo

29 de outubro de 2018 | 12h16

BERLIM - A chanceler alemã, Angela Merkel, afirmou nesta segunda-feira, 29, que deixará a presidência de seu partido no fim do ano e, consequentemente, não tentará a reeleição como chanceler em 2021. Com sua renúncia à presidência do conservador de centro-direita União Democrata-Cristã (CDU), Merkel marca o fim de uma era de 13 anos de dominância nas políticas europeias.

“Primeiramente, no próximo congresso da CDU em dezembro, em Hamburgo, não me candidatarei à vaga do partido”, disse a chanceler, esboçando as consequências do recuo do CDU nas eleições regionais do domingo 28. “Em segundo lugar, este quarto mandato é o meu último como chanceler alemã. Nas eleições de 2021, não disputarei novamente a vaga nem como candidata ao Congresso e não terei mais cargos políticos”, acrescentou.

Anteriormente, a imprensa alemã havia antecipado a decisão da atual chanceler, desde 2005 no cargo e desde 2000 como líder do partido, citando uma fonte próxima a ela.

Merkel governa a Alemanha atualmente em uma “grande coalização” do que tradicionalmente foram os maiores partidos alemães: a CDU, o conservador União Social-Cristã da Bavária (CSU) e o de centro esquerda Social-democrata. O seu quarto mandato começou somente em março, mas tem sido marcado por rixas.

As eleições de domingo no Estado alemão de Hesse acabaram com o CDU e o Social-democratas perdendo território significativo em meio às conquistas do Partido Verde e do partido de extrema direita Alternativa para Alemanha (AfD). O partido de Merkel conseguiu uma inexpressiva vitória, salvando uma limitada maioria por seu governo regional de coalizão com os Verdes em Hesse. Há duas semanas, o fiasco foi precedido de uma derrota para a CDU e os Social-democratas nas eleições estaduais da Bavária.

Histórico.

Abandonar o cargo de presidente do partido é uma grande concessão para Merkel, que por anos insistiu que a chanceler deveria ser a líder da sigla. Mas há precedentes para dividir os dois cargos.

O antecessor de Merkel, Gerhard Schroeder, saiu do cargo de líder do partido Social-democratas em 2004 quando seu governo enfrentou dificuldades, mas permaneceu como chanceler até que perdesse por pouco a eleição 18 meses depois. Helmut Schmidt, chanceler da Alemanha Ocidental de 1974 a 1982, nunca liderou o Social-democratas.

“A CDU encara um ponto decisivo”, disse o líder regional da Alemanha oriental Mike Mohring ao canal de televisão Welt. “Angela Merkel sabe o que é melhor fazer, e agora ela decidiu. E exige respeito.” Ele disse que é importante evitar “debates pessoais” e é importante restaurar a confiança das pessoas no CDU como um partido governante.

Merkel arrastou o CDU para o centro político em seus anos como líder, abandonando alistamento militar, introduzindo benefícios para encorajar pais a procurar seus filhos pequenos e abruptamente acelerando o fechamento de usinas nucleares alemãs depois do desastre de Fukushima em 2011, no Japão. A chanceler permitiu um grande número de refugiados na Alemanha em 2015, muitos fugindo da guerra na Síria, declarando “nós vamos conseguir” antes que gradualmente mudasse para uma estratégia mais restrita.

Essas decisões levaram a tensões no bloco conservador do CDU, principalmente com o partido-irmão na Bavária, o CSU, e ajudou o partido anti-imigração AfD ganhar suporte.

A líder do Social-democratas, Andrea Nahles, exigiu no domingo um “claro itinerário” para implementar projetos do governo antes que a coalizão federal enfrente acordo de mudanças no próximo ano. / AP e REUTERS

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