Após críticas de Netanyahu à política para o Irã, Washington evita reunião

A Casa Branca rejeitou o pedido do primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, para reunir-se com o presidente dos EUA, Barack Obama, no fim do mês. A recusa foi divulgada horas depois de Netanyahu criticar Washington por "não impor limites ao Irã" e reacender a questão do apoio a Israel na campanha presidencial americana.

DENISE CHRISPIM MARIN, CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

12 de setembro de 2012 | 03h04

Para evitar críticas dos republicanos, Obama conversou por telefone com o premiê no fim da noite. "O presidente Obama e o primeiro-ministro Netanyahu reafirmaram que eles estão unidos na determinação de evitar que o Irã obtenha uma arma nuclear e concordaram em prosseguir com a consultas", afirmou a Casa Branca, em comunicado.

Horas antes, as declarações de Netanyahu não teriam sido bem recebidas pela Casa Branca. "O mundo diz para Israel: 'espere, não chegou a hora ainda'. E eu digo: esperar para quê? Esperar até quando? Aqueles da comunidade internacional que se recusam a pôr um limite no Irã não têm o direito moral de colocar um limite em Israel", declarou Netanyahu à imprensa, ao lado do primeiro-ministro da Bulgária, Boyko Borisov.

"Agora, se o Irã souber que não tem limites, o que fará? O Irã está continuando, sem nenhuma interferência, a aumentar sua capacidade de obter armas nucleares e, a partir daí, de construir as bombas", completou. Ao que tudo indica, Netanyahu estava irritado com declarações da secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, que no domingo afirmou que seu país não imporia um ultimato ao Irã.

Há pelo menos um ano, o governo Obama contém o impulso de Israel de lançar um ataque contra instalações nucleares iranianas. No mês passado, as pressões tornaram-se mais fortes com a divulgação de um novo relatório pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), segundo o qual o Irã está mais próximo de obter tecnologia para construir uma bomba.

Na verdade, o que a Casa Branca quer evitar é o envolvimento dos EUA em um novo conflito em um período de eleições, seja por questão de princípios ou por motivos orçamentários. A guerra será inevitável se Israel precipitar um ataque.

A posição dos EUA sobre Israel a partir de 2013 tem sido um dos principais tópicos da agenda externa de Obama e de seu adversário, Mitt Romney. Os republicanos têm criticado o presidente por sua tentativa de refrear um ataque coordenado com Israel contra o Irã. Os democratas, num esforço para retomar parte do eleitorado de origem judaica e suas doações de campanha, chegaram a incluir na sua plataforma o reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel.

A informação sobre a recusa da Casa Branca a agendar um encontro de Netanyahu com Obama foi publicada pelo jornal israelense Haaretz. Israel teria sugerido uma reunião no final de setembro, durante a Assembleia-Geral das Nações Unidas. A Casa Branca costuma dizer que não aceita convites para visitas na época da Assembleia. Essa foi a desculpa dada no ano passado ao Palácio do Planalto. Mas não foi repetida ontem.

Segundo o porta-voz do Conselho de Segurança Nacional, Tommy Vietor, Obama e Netanyahu não estarão presentes nos mesmos dias em Nova York. "O presidente e o primeiro-ministro estão frequentemente em contato, e o primeiro-ministro vai se reunir com outras autoridades, incluindo a secretária (de Estado, Hillary) Clinton", completou Vietor.

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