Após críticas, ONG lança sequência de campanha contra Joseph Kony

'Kony 2012 Parte II' tenta detalhar o conflito de 26 anos e mostrar quem produz essa campanha

Associated Press,

05 de abril de 2012 | 14h03

SAN DIEGO - Um vídeo que se tornou viral na internet, com mais de 100 milhões de acessos no Youtube, teve a façanha de transformar o ditador africano Joseph Kony em um nome conhecido e turbinar a caçada internacional pelo violento líder rebelde. Pode uma sequência do filme fazer mais?

Essa é a grande questão para a pequena ONG californiana Invisible Children e seu esforço mais recente: "Kony 2012 Parte II", que deve ser lançado na quinta-feira.

A sequência repete algumas das mesmas estratégias que o primeiro vídeo de uma jovem comunidade global se mobilizando para ação. Mas é sensível a falta da voz do co-fundador da ONG, Jason Russel, que dirigiu o primeiro filme. Russel foi diagnosticado com psicose no último mês após testemunhas terem o encontrado andando pelado numa calçada de São Diego, gritando de forma desconexa e dando murros no chão. Sua crise aconteceu logo após "Kony 2012" ter alçado o grupo ao estrelato mundial.

Também está ausente na sequência o tipo de narrativa que fez o original parecer único. O primeiro "Kony 2012" apresentou a questão global por meu de um olhar de criança, com uma conversa entre Russel, que dirigiu o filme, e seu filho pequeno Gavin sobre como enfrentar as pessoas más.

O último vídeo é um documentário tradicional de apelo crítico, após reclamações de que "Kony 2012" era muito centrado nos americanos, que o grupo tinha gasto pouco dinheiro diretamente nas pessoas que ele tenta ajudar, e que ele simplificou demais um conflito de 26 anos envolvendo o exército de resistência de Kony.

O vídeo original já entrou para a história como um estudo de caso sobre o que pode ser tornar viral na internet, afirma o especialista em cultura pop Robert Thompson. Mas a Internet é inconstante, ele diz.

"O fato é que a história se desenvolveu de uma maneira tão singular com toda aquela controvérsia que a sequencia não poderá prometer o mesmo sucesso do primeiro vídeo - que foi informar as pessoas de algo que elas não sabiam antes", disse Thompson, um professor da University Syracuse. "Agora nós vamos mergulhar nos detalhes, que nunca são tão excitantes".

Ben Keesey, presidente da Invisible Children's, disse que a sequencia foi realizada em duas semanas. O objetivo, segundo ele, era a necessidade de a organização responder às pessoas que queriam saber quem estava por trás do sucesso da Internet que levou a União Africana a enviar 5 mil soldados para se juntarem à caçada por Kony, e a um grupo bipartidário de 40 senadores americanos aprovarem uma resolução condenando Kony.

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