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Mikhail Metzel/Sputnik/Kremlin/EFE/EPA
Mikhail Metzel/Sputnik/Kremlin/EFE/EPA

Após reunião com Biden, Putin nega ataques cibernéticos e diz que EUA são o maior infrator

Comentários do presidente russo sugeriram que os dois líderes não encontraram muitos pontos em comum

Redação, O Estado de S.Paulo

16 de junho de 2021 | 14h17

GENEBRA  - O presidente russo Vladimir Putin, falando a repórteres após reunião privada com o presidente americano Joe Biden nesta quarta-feira, 16, negou que a Rússia tenha desempenhado qualquer papel em uma onda de ataques cibernéticos cada vez mais ousados contra as instituições dos EUA e disse que os EUA foram o maior infrator.

Citando "fontes americanas", Putin afirmou que os Estados Unidos são o país que mais realiza ataque cibernéticos no mundo, seguidos por Canadá, América Latina e Grã-Bretanha. "A Rússia não está na lista", afirmou.

Os comentários do líder russo sugeriram que ele não estava interessado em discutir o que Biden havia imposto ser um objetivo-chave das negociações: estabelecer salvaguardas sobre quais tipos de ataques à infraestrutura estão proibidos em tempos de paz.

Putin sugeriu que houve algum tipo de acordo para estabelecer grupos de especialistas para examinar essas questões, mas as autoridades americanas temem que seja pouco mais do que uma manobra para encerrar o assunto em uma cúpula tensa.

Saindo de sua primeira reunião com Biden desde sua eleição como presidente dos Estados Unidos, Putin começou dizendo que as negociações haviam corrido bem - mas logo ficou claro que as tensões entre os países provavelmente não diminuirão significativamente tão cedo.

“Não houve hostilidade”, declarou Putin. “Pelo contrário, o nosso encontro decorreu com um espírito construtivo.”

Dirigindo-se a repórteres na Villa de Genebra, onde ocorreu a reunião, o presidente russo disse: “Ambos os lados expressaram sua intenção de se entender e buscar um terreno comum. As conversas foram bastante construtivas. ”

O envolvimento diplomático de alto risco veio no final de uma turnê europeia turbulenta para Biden, na qual ele buscou reconstruir e fortalecer as alianças tradicionais que muitas vezes reforçaram a posição dos Estados Unidos durante a Guerra Fria. Foi uma reunião carregada de história e repleta de desafios.

Biden argumentou que o mundo está em um “ponto de inflexão”, com uma batalha existencial em andamento entre democracia e autocracia. E com Putin na vanguarda dos autocratas, o líder americano enfrentou críticas de alguns setores por até mesmo participar da cúpula.

Em um reflexo das sensibilidades do simbolismo, a Casa Branca insistiu que os líderes realizassem coletivas de imprensa independentes, com Putin falando primeiro.

“Não acho que tenha havido qualquer tipo de hostilidade”, disse Putin, mesmo depois de observar que havia “opiniões divergentes” sobre questões fundamentais. Os dois lados, disse ele, estão determinados a trabalhar “para se entender” e encontrar áreas de convergência.

O líder russo disse que as nações concordaram que os embaixadores em seus respectivos países devem retornar aos seus cargos em um futuro próximo. Ele disse que eles também iniciariam “consultas” sobre questões relacionadas ao ciberespaço.

“Acreditamos que a esfera da segurança cibernética é extremamente importante para o mundo em geral - inclusive para os Estados Unidos e, no mesmo grau, para a Rússia”, disse ele.

O líder russo, que voou de Sochi, na Rússia, havia chegado primeiro para a cúpula em uma vila suíça do século 18 situada acima do Lago Genebra. Pouco tempo depois, a comitiva de Biden chegou.

Os dois líderes foram recebidos pelo presidente Guy Parmelin da Suíça, que os deu as boas-vindas a Genebra, “a cidade da paz”. “Desejo a vocês dois presidentes um diálogo frutífero no interesse de seus dois países e do mundo”, disse ele.

Os dois homens abordaram uma série de tópicos difíceis, desde ameaças militares a questões de direitos humanos.

Alguns eram antigos, outros de safra mais recente. Durante a Guerra Fria, a perspectiva de aniquilação nuclear levou a tratados históricos e uma estrutura que impediu o mundo de se explodir. Nessa reunião, pela primeira vez, as armas cibernéticas - com seu próprio enorme potencial para causar estragos - estiveram no centro da agenda.

Mas os comentários de Putin à mídia sugeriram que os dois líderes não encontraram muitos pontos em comum.

Além de negar que a Rússia tenha desempenhado um papel desestabilizador no ciberespaço, ele também assumiu uma postura dura em relação aos direitos humanos na Rússia.

Ele disse que Biden levantou a questão, mas deu o mesmo tom desafiador sobre o assunto em sua entrevista coletiva como fez no passado. Os Estados Unidos, disse Putin, apóiam grupos de oposição na Rússia para enfraquecer o país, já que veem a Rússia como um adversário.

“Se a Rússia é o inimigo, então que organizações os Estados Unidos apoiarão na Rússia?” Putin perguntou. “Acho que não são aqueles que fortalecem a Federação Russa, mas sim aqueles que a enfraquecem - que é a meta anunciada publicamente pelos Estados Unidos.” /NYT

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