Kyodo/via REUTERS
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Após cúpula com Trump, Kim Jong-un vai à China

Esta é a terceira visita em três meses que o líder norte-coreano faz ao seu principal aliado; Pequim tem deixado claro que pretende ter um papel-chave nas negociações sobre a eliminação das armas nucleares da Península Coreana

O Estado de S.Paulo

19 de junho de 2018 | 02h39
Atualizado 19 de junho de 2018 | 06h12

PEQUIM - O líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, chegou à China nesta terça-feira, 19, para uma visita de dois dias ao seu principal aliado pela terceira vez em três meses e apenas uma semana após a cúpula histórica com o presidente dos EUA, Donald Trump, em Cingapura. 

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"Kim Jong-un, presidente do Partido dos Trabalhadores da Coreia e presidente da Comissão de Assuntos do Estado da República Popular Democrática da Coreia, visita a China nos dias 19 e 20 de junho", anunciou a agência Xinhua em um breve comunicado.

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Diplomatas estrangeiros já haviam dito que Kim deveria visitar a China logo após retornar de seu encontro com Trump no dia 12 de junho com a finalidade de informar o presidente chinês, Xi Jinping, sobre o resultado da cúpula e discutir outras questões, como a cooperação econômica entre os dois países.

O líder norte-coreano tenta conseguir uma redução das sanções econômicas internacionais em troca de suas promessas de desnuclearização. Para isso, espera contar com o apoio de Pequim, segundo análise do jornal japonês Nikkei. Na semana passada, a diplomacia chinesa sugeriu que a ONU poderia admitir a redução das sanções se Pyongyang cumprisse com suas obrigações.

A China tem deixado claro que pretende ter um papel-chave nas negociações sobre a eliminação das armas nucleares da Península Coreana, oferecendo com insistência seus serviços diplomáticos.

A cúpula entre Trump e Kim deu lugar a uma declaração na qual o líder norte-coreano garantia "seu compromisso firme e inquebrantável para uma desnuclearização da península". Esta expressão indefinida, que permite distintas interpretações, tem sido questionada por alguns especialistas, já que retoma uma antiga promessa da Coreia do Norte jamais cumprida.

O secretário americano de Estado, Mike Pompeo, descartou que as duras sanções impostas a Pyongyang em razão de seus testes nucleares e balísticos sejam suspensas antes da desnuclearização completa do país. Na semana passada, Xi recebeu Pompeo, que visitou o país para informá-lo sobre os detalhes da cúpula de Cingapura.

Esta é a terceira visita de Kim à China desde março, quando fez sua primeira viagem ao exterior desde sua posse, em 2011. Contudo, esta é a primeira vez que a visita não é realizada em segredo. / AFP, Dow Jones e EFE

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