Após debate, candidatos a vice trocam acusações

Republicano diz que Biden desrespeitou povo americano ao rir de suas respostas

DENISE CHRISPIM MARIN , CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

13 de outubro de 2012 | 03h02

O debate entre o vice-presidente dos EUA, Joe Biden, e o aspirante a seu posto, o republicano Paul Ryan, tornou-se ontem mais um motivo de confrontação. Os dois lados reivindicaram a vitória no evento, considerado mais impactante nesta eleição do que nas anteriores, e voltaram a trocar ataques.

Os republicanos acusaram Biden de ter desrespeitado os eleitores ao rir das respostas do rival. Os democratas acusaram Ryan de ter distorcido fatos. O evento teve um grau de agressividade muito mais elevado do que o debate entre o presidente dos EUA e candidato à reeleição, Barack Obama, e seu rival republicano, Mitt Romney, dia 3, em Denver, no Colorado.

O vice-presidente Biden começou no ataque, gargalhou do adversário e o interrompeu várias vezes durante o embate em Danville, Kentucky. "Foi o que eu esperava", afirmou ontem Ryan, ao negar ter se sentido esmagado pelo vice-presidente. "Tenho grande respeito por ele (Ryan). Quem viu o debate percebeu que o deputado Ryan e eu, o presidente Obama e Mitt Romney temos diferenças fundamentais sobre o rumo da América e sobre os nossos valores", disse Biden, em campanha em Wisconsin, o Estado de Ryan.

Os principais escudeiros de Romney criticaram ontem os risos de Biden e vincularam esse comportamento aos olhos revirados de Al Gore, candidato democrata à Casa Branca em 2004, quando ouvia as respostas do então presidente, George W. Bush, em um debate. Karl Rove, comandante da Crossroad GPS, empresa formada para apoiar as candidaturas republicanas, afirmou que o vice-presidente parecia "descompensado". Para o conselheiro de campanha de Romney, Ed Gillespie, demonstrou "desrespeito ao povo americano".

O estrategista da campanha de Obama, David Axelrod, afirmou ter sido o riso inevitável e natural. "Quando você está debatendo com um oponente que está escapando dos fatos ou os distorcendo é assim que se reage." Também em defesa de Biden, o deputado democrata Chris Van Rollen avaliou que o candidato não ultrapassou limites. "O que se viu foi a paixão de Biden por aqueles temas", afirmou Van Rollen, que nos ensaios de Biden figurou como Ryan.

Segundo Gene Beaupre, diretor do Departamento de Relações Governamentais da Xavier University, ambos cumpriram seus objetivos. "Ryan saiu-se bem o bastante para mostrar-se plausível como candidato e Biden conseguiu restabelecer a visibilidade de sua chapa no debate", afirmou ao Estado.

Na substância, Biden escorregou na questão Líbia ao afirmar que a Casa Branca não havia recebido um pedido de reforço da segurança aos diplomatas e funcionários das representações americanas na Líbia, antes do ataque de 11 de setembro em Benghazi, que resultou na morte do embaixador Christopher Stevens. O Departamento de Estado havia confirmado essa solicitação ao Congresso no dia anterior ao debate. "Essa afirmação vai assombrar Biden nos próximos dez anos", alfinetou o ex-presidente da Câmara dos Deputados Newt Gingrich, referindo-se à possibilidade de Biden lançar-se à Casa Branca em 2016.

Biden, porém, fez muito mais para estimular a base eleitoral democrata em seu debate com Ryan do que Obama, na semana passada, com Romney. Ele conseguiu qualificar a chapa republicana como a que busca uma nova guerra no Oriente Médio - seja contra a Síria ou contra o Irã -, e resumiu suas ideias para estimular a economia como um "monte de asneiras". Em um de seus melhores momentos, o vice-presidente ironizou o plano republicano de reduzir o déficit público e, ao mesmo tempo, gerar empregos.

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