Susan Walsh/ AP
Susan Walsh/ AP

Após decisão da Câmara, Biden pede que Senado não interrompa votações durante impeachment

Presidente eleito teme que pauta seja trancada, impedindo aprovações de indicados para postos centrais e de medidas para a economia e combate ao coronavírus

Redação, O Estado de S.Paulo

14 de janeiro de 2021 | 08h00

WASHINGTON  — O presidente eleito dos Estados Unidos, Joe Biden, declarou na noite dessa quarta-feira, 13, esperar que o Senado "encontre uma forma" de levar adiante o julgamento do impeachment de Donald Trump ao mesmo tempo em que realize as funções habituais da Casa, especialmente nos primeiros movimentos do novo governo. 

O texto foi divulgado horas depois da Câmara dos Deputados aprovar o início do processo, o segundo no mandato de Trump.

"Essa nação continua diante de um vírus mortal e uma economia fragilizada. Espero que a liderança do Senado encontre uma maneira de cumprir suas responsabilidades constitucionais do impeachment enquanto trabalha em outros temas urgentes do país", escreveu no comunicado.

Biden cita os processos de confirmação de cargos como os secretários de governo, incluindo os de Segurança Interna, Estado e do Tesouro, que são conduzidos pela Casa. Menciona ainda ações relacionadas à vacinação contra a covid-19 e medidas para reativar a economia.

"Muitos americanos sofreram por muito tempo no ano passado para que esse trabalho urgente seja atrasado", declarou Biden.

A uma semana da posse, o democrata afirmou ainda que os deputados exerceram seu direito constitucional de aplicar o impeachment contra Trump, apontado por ele como o incitador da violência do dia 6 de janeiro.

"Esse ataque criminoso foi planejado e coordenado. Foi realizado por extremistas políticos e terroristas domésticos, que foram incitados pelo presidente Trump", escreveu o presidente, dizendo ainda que a invasão foi um "ataque contra a democracia", diferente de tudo que ocorreu no país em 244 anos de democracia.

Biden tenta manter o discurso de que o impeachment de Trump é responsabilidade apenas do Congresso. Ao mesmo tempo, não esconde a preocupação com um julgamento realizado logo nos primeiros momentos de seu mandato: quando o Senado começar a analisar as acusações, a pauta será trancada, impedindo qualquer uma das ações pretendidas por Biden.

Por isso, alguns defendiam que Nancy Pelosi, a presidente da Câmara, esperasse pelo menos 100 dias para levar o processo ao Senado, dando a Biden algum fôlego inicial. Ao mesmo tempo, o líder da maioria na Câmara, Steny Hoyer, quer que as acusações sejam enviadas imediatamente, apostando em um julgamento rápido dos senadores, e algumas deserções entre os republicanos./ AP e REUTERS

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