Após declaração de Mujica, México convoca embaixador do Uruguai

Presidente uruguaio havia dito que México é um 'país falido' em razão do desaparecimento de 43 estudantes 

O Estado de S. Paulo

24 Novembro 2014 | 14h17

CIDADE DO MÉXICO - O governo mexicano chamou o embaixador do Uruguai no país do domingo depois de o presidente uruguaio, José Mujica, ter declarado que o México é um "Estado falido", ao comentar o caso do desaparecimento e possível massacre de 43 estudantes.

Em comunicado, a Secretaria de Relações Exteriores (SRE) do México manifestou "surpresa e rejeitou categoricamente" algumas declarações do presidente uruguaio, publicadas na sexta-feira no site da revista Foreign Affairs Latinoamérica. "A esse respeito, a SRE estabeleceu contato com a chancelaria uruguaia e decidiu citar o embaixador desse país no México", acrescentou o comunicado, referindo-se ao diplomata Jorge Delgado.

Mujica depois contextualizou suas declarações e mostrou solidariedade com o país.

O caso dos estudantes mexicanos causou comoção internacional, assim como a pior crise política até agora para o governo do presidente Enrique Peña Nieto, que enfrenta uma onda de protestos de mexicanos cansados da violência e impunidade.

Em um trecho da entrevista, concedida na quarta-feira, Mujica classificou de "terrível" a morte dos estudantes e afirmou que, visto à distância, o México é "uma espécie de Estado falido" cujos poderes públicos estão totalmente fora de controle. Além disso, atribuiu a situação a uma "gigantesca corrupção" que se estabeleceu como um "costume social tácito" no México.

Em outro trecho, Mujica afirmou que o México está obrigado a esclarecer "caia quem cair". "Quer dizer que há mais mortos que não estão nem sequer sendo reclamados. Então a vida humana vale menos que a de um cachorro", disse Mujica, segundo a revista Foreign Affairs Latinoamérica.  

No domingo, no entanto, o presidente uruguaio manifestou sua solidariedade com o México e países como Honduras e Guatemala, onde o narcotráfico também afeta a segurança. "Não são, nem serão, essas nações Estados inócuos ou falidos, porque têm cimentos históricos de nações précolombianas, possuem capital político em seus partidos e em suas decisões democráticas, que estão acima de suas vicissitudes de hoje", disse Mujica, segundo a presidência.

"Nos sentimos solidários com o México, mas além disso comprometidos com sua luta, e no que for possível, estamos à disposição de seu governo legítimo para apoiá-lo em tudo o que possa facilitar o enfrentamento deste difícil momento", acrescentou. /REUTERS

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.