AP Photo
AP Photo

Após declarar fim de rebelião, Irã tem novos protestos favoráveis ao governo

Nos últimos dias, 21 pessoas morreram - a maioria manifestantes - e centenas foram presas em atos contra o regime

O Estado de S.Paulo

04 Janeiro 2018 | 17h02

TEERÃ - Novas mobilizações favoráveis ao governo do Irã tomaram as ruas do país nesta quinta-feira, 4, um dia após o governo declarar o "fim da sedição", na esperança de concentrar as atenções nas demandas econômicas, o ponto de partida dos protestos.

Depois de vários dias de agitação, a capital Teerã e a maioria das cidades provincianas tiveram uma segunda noite tranquila. A imprensa e redes sociais não relataram distúrbios noturnos, embora imagens de mobilizações esporádicas em localidades menores tenham sido publicadas sem verificação.

+ As perspectivas para os protestos no Irã

Esta manhã, a televisão iraniana exibiu imagens de novas grandes manifestações em apoio ao governo nas cidades de Isfahan (centro), Mashhad (nordeste), Orumieh (noroeste), Babol e Ardebil (norte). “Estamos todos unidos com o guia”,  gritavam os manifestantes, em apoio ao líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei. 

Os manifestantes também gritavam "morte à América", "morte a Israel" e "morte ao monafegh" (hipócrita em persa), termo utilizado pelas autoridades para designar os Mudjahedines do Povo, principal grupo de oposição no exílio, proibido no Irã.

Já na quarta-feira, dezenas de milhares de pessoas se mobilizaram em vinte outras cidades provinciais para apoiar o poder e denunciar a violência dos protestos que se estenderam por uma semana.

+ Análise: Revoltas econômicas se transformam em levantes políticos facilmente

As autoridades acusam grupos contra-revolucionários de tirar proveito das manifestações legítimas"da população contra as dificuldades econômicas para criar problemas.

O exército de elite iraniano, a Guarda Revolucionária, proclamou na quarta-feira o fim deste movimento descrito como "sedição". Iniciado em 28 de dezembro em Mashhad (nordeste), a segunda maior cidade do país, foi o maior movimento de contestação desde 2009 no Irã.

+Perguntas & Respostas: A fúria dos iranianos

De quinta a segunda-feira à noite, 21 pessoas morreram - a maioria manifestantes - e centenas foram presas, incluindo 450 em Teerã, segundo dados oficiais. /AFP

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.