AFP PHOTO / REEM BAESHEN
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Após decreto, saudita presa em 2011 por dirigir quer voltar ao volante

Manal al-Sharif ficou detida por nove dias por publicar um vídeo na internet no qual dirigia pela cidade de Jobar; na terça-feira, rei Salman ordenou que carteiras de motorista sejam entregues a homens e mulheres, ‘sem distinção’

O Estado de S.Paulo

28 Setembro 2017 | 11h18

SYDNEY, AUSTRÁLIA - A militante saudita Manal al-Sharif, que vive em Sydney, declarou nesta quinta-feira, 28, que está ansiosa para voltar a dirigir em seu país, depois que o reino autorizou as mulheres a conduzirem veículos.

+ Para entender: O que as mulheres sauditas ainda não podem fazer

Líder do movimento de protesto "Women2Drive", Manal ficou presa por nove dias em maio de 2011 por ter publicado na internet um vídeo no qual ela dirigia pela cidade saudita de Jobar.

Na terça-feira, o rei Salman ordenou que sejam entregues carteiras de motorista para homens e mulheres, "sem distinção", segundo um decreto real. O reino era o único país do mundo no qual as mulheres ainda não tinham direito a dirigir.

A medida, que deve entrar em vigor em junho, leva a marca do príncipe herdeiro Mohamed bin Salman, de 32 anos, promotor de um amplo programa de reformas econômicas e sociais conhecido como "Visão 2030".

"É um dia verdadeiramente histórico", declarou Manal a um jornal local. "Vou ser sincera: acabo de chorar", desabafou a ativista, que foi viver na Austrália depois de deixar a prisão. "Meu carro continua lá (...). Minha família o conservou. Vou dirigir, mas legalmente desta vez", completou.

Reveja: Sauditas têm novo príncipe herdeiro

A organização Human Rights Watch celebrou o fim da proibição, qualificada por sua diretora para o Oriente Médio, Sarah Leah Whitson, como uma "vitória importante para as mulheres sauditas que, corajosamente, durante décadas, enfrentaram a discriminação sistemática".

"Agora, as autoridades sauditas devem garantir que as mulheres tenham permissão de dirigir da mesma maneira que os homens, ou seja, sem restrições", acrescentou. / AFP

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