Anna Moneymaker/NYT
Anna Moneymaker/NYT

Após denúncia, Casa Branca diz preparar dossiê contra jornalistas

Revelação foi feita pela porta-voz de Trump, Judd Deere, após matéria do ‘Washington Post’ sobre gastos em viagens presidenciais em propriedades do presidente

Redação, O Estado de S.Paulo

27 de agosto de 2020 | 21h52

WASHINGTON - A Casa Branca informou nesta quinta-feira, 27, que prepara um dossiê sobre jornalistas do Washington Post, após o jornal publicar uma reportagem sobre o lucro das empresas de Donald Trump em viagens oficiais do presidente. A revelação foi feita pela porta-voz, Judd Deree, quando os jornalistas pediram um comentário sobre a denúncia. 

De acordo com a matéria do Washington Post, assinada por Josh Dawsey, Joshua Partlow e David Fahrenthold – vencedor de um prêmio Pulitzer –, as empresas de Trump cobraram faturas no valor de US$ 900 mil do governo americano. Os valores se referem a hospedagens, tarifas de hotel e até taxas para remoção de móveis dos quartos. 

Durante os quase quatro anos de mandato, Trump já visitou suas próprias propriedades 270 vezes, de acordo com levantamento feito pelo Washington Post – sem contar o encontro com doadores republicanos realizados hoje em seu hotel na capital americana. 

Por meio dessas viagens, Trump canalizou para sua empresa uma receita proveniente das agências federais e de grupos ligados a sua campanha. Pelo menos US$ 570 mil foram gastos em viagens presidenciais, de acordo com uma análise do Post. No entanto, novos documentos oficiais, obtidos pelo jornal, fornecem mais detalhes sobre como a Organização Trump cobrou do serviço secreto americano – uma espécie de cliente cativo da Casa Branca, obrigado a seguir Trump em todos os lugares. 

Além dos quartos no resort de Mar-a-Lago, os documentos mostram que a Organização Trump cobrou diárias dos agentes que protegiam o vice-presidente, Mike Pence, em Las Vegas. Em outra ocasião, a empresa de Trump recebeu US$ 1,3 mil dos agentes do serviço secreto pela simples remoção de móveis de um dos quartos, durante uma viagem oficial de Trump à Escócia. 

Hoje, a porta-voz da Casa Branca, Judd Deere, acusou o Washington Post de “interferir abertamente nas relações comerciais da Organização Trump” e exigiu “que a prática seja interrompida”. “Informamos que estamos elaborando um grande dossiê sobre as muitas histórias falsas de David Fahrenthold e de outros jornalistas, pois são uma vergonha para o jornalismo e para o povo americano”, disse Deere.

Mais tarde, segundo a CNN, a porta-voz foi questionada sobre o dossiê, mas se recusou a comentar. Nem a secretária de imprensa da Casa Branca, Kayleigh McEnany, nem a diretora de comunicações de Trump, Alyssa Farah, responderam aos pedidos de esclarecimento. 

Denúncia

No Twitter, Fahrenthold escreveu que, se alguém souber “qualquer coisa a respeito de um dossiê que a Casa Branca compilou” sobre ele, que por favor avise ou lhe forneça uma cópia. Fahrenthold ganhou o Pulitzer em 2017 por uma matéria que questionava a generosidade de Trump com as instituições de caridade. 

Em um dos casos relatados, Trump teria prometido doar US$ 6 milhões, incluindo US$ 1 milhão de sua fortuna pessoal, para grupos de veteranos de guerra durante uma campanha de arrecadação de fundos na TV, antes das prévias de Iowa, no início do ano passado – o dinheiro, porém, nunca foi doado. / W.Post

 

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