Após derrota de Cristina, oposição se reorganiza

A derrota do governo da presidente Cristina Kirchner na semana passada no Senado - que derrubou seu projeto de aumentos de impostos aplicados às exportações de produtos agrícolas - está entusiasmando os partidos da Oposição e os opositores de dentro do próprio partido governista, o Justicialista (Peronista). Um dos peronistas ''rebeldes'', o ex-presidente Eduardo Duhalde, anunciou que abrirá nos próximos dias filiais nas principais cidades do país do dissidente "Movimento Produtivo Argentino" (MPA). Dentro do Peronismo, afirmam os analistas, os políticos estão procurando uma alternativa para permanecer no poder. Essa alternativa não envolve a presidente Cristina e seu marido e ex-presidente Néstor Kirchner, argumentam. Os partidos da oposição agora vislumbram chances de protagonismo."Esta é a oportunidade", expressaram. Elisa Carrió, líder da Coalizão Cívica, de centro, sustenta que a oposição conseguiu "um avanço colossal". Líderes do Proposta Republicana, de centro-direita, sugerem uma coalizão anti-Kirchners. Kirchneristas vacilantes, que avaliam a baixa conveniência da fidelidade à presidente, entre eles prefeitos da Grande Buenos Aires (maior reduto do governo) estão entrando em contato com Duhalde, aglutinador de insatisfeitos.A fuga de aliados também tomou conta dos Radicais-K, os dissidentes da União Cívica Radical alinhados com os Kirchners, cujo principal representante é o vice-presidente Julio Cobos. Vários esperam a "anistia" da UCR para voltar ao partido. Na sexta-feira dois homens de Cobos renunciaram a seus cargos no governo. Na quinta-feira, Cobos, na categoria de presidente do Senado, com seu voto de Minerva provocou a derrota dos Kirchners. Segundo uma pesquisa da Managemente & Fita, o vice - transformado em figura popular - tem imagem positiva de 50%. Cristina Kirchner amarga uma popularidade de apenas 20%.Após ter causado a derrota do governo, o vice foi chamado de "traidor" e sua renúncia, solicitada. Mas, desde ontem lideranças kirchneristas colocam panos quentes. Um deles, o senador José Pampuro, relativizou a rebeldia de Cobos e disse que haveria uma "crise ainda maior" se o vice renunciasse.

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