Após derrota, democratas debatem reforma da saúde

Congressistas do Partido Democrata discutiram ontem como salvar a reforma do sistema de saúde dos Estados Unidos. Para alguns deles, a derrota da situação na disputa por uma cadeira no Senado pelo Estado de Massachusetts é uma prova de que houve exageros no esforço para mudar o setor.

AE, Agencia Estado

20 de janeiro de 2010 | 10h35

O republicano Scott Brown saiu atrás nas pesquisas, mas reagiu e venceu a disputa, ontem, com a democrata Martha Coakley. Com isso, os democratas não conseguiram eleger o sucessor do veterano senador democrata Edward Kennedy, que morreu em agosto do ano passado, provocando a realização da eleição especial. Para piorar, a situação perdeu sua maioria folgada de 60 cadeiras em 100 no Senado. Com a maioria de 60 votos até então existente, os democratas podiam impedir manobras protelatórias da oposição.

Os líderes do partido agora avaliam as opções para passar a reforma. Já houve a aprovação de uma versão do projeto na Câmara dos Representantes e de outra no Senado. É preciso, porém, votar um texto unificado para se chegar a uma lei.

Entre as opções disponíveis estão tentar aprovar a medida antes da posse de Brown, passar o texto do Senado na Câmara dos Representantes sem alterações, ou ainda recuar bastante em alguns pontos da lei, de modo a obter uma base de apoio mais ampla. Não há ainda uma decisão tomada sobre a estratégia do partido para o tema, uma das principais bandeiras na política interna do presidente Barack Obama.

Vários democratas, porém, avaliaram a derrota na eleição em Massachusetts como um sinal para que a situação recue na reforma. "Eu acho que o povo de Massachusetts quer que nós escutemos. Acho que eles não estão felizes com a economia nem estão felizes com a lei sobre o seguro-saúde", disse o deputado Stephen Lynch, democrata eleito por Massachusetts.

Na opinião dele, a população parece dizer que não é todo o sistema de saúde que deve ser alterado, mas talvez apenas alguns setores dele que precisam de reparos. Para ele, o temor de uma reforma profunda "deixou as pessoas em pânico".

Negociações

O líder da maioria no Senado, Harry Reid, parabenizou em comunicado Brown pela vitória e disse que a posse dele deve ocorrer logo que os documentos para isso estejam em ordem. Ele reconheceu que o novo membro muda a matemática no Senado, mas disse que os democratas permanecem comprometidos com o fortalecimento da economia, a criação de bons empregos e o esforço para garantir que "todos os americanos possam ter acesso à seguro-saúde que possam pagar".

A presidente da Câmara dos Representantes, a democrata Nancy Pelosi, disse ontem que, independentemente do resultado em Massachusetts, prosseguirá o esforço para passar a lei.

A estratégia de acelerar o processo para aprovar a reforma, porém, pode enfrentar oposição. O senador democrata Jim Webb divulgou comunicado ontem, afirmando que, na opinião dele, "seria justo e prudente" esperar a chegada de Brown ao Senado, para então tratar da reforma.

O deputado democrata Anthony Weiner disse que os líderes da Câmara dos Representantes ainda não perceberam que a derrota em Massachusetts significará que eles precisarão fazer mudanças importantes no projeto.

"Nós temos que reconhecer que teremos um cenário totalmente diferente, provavelmente." O deputado democrata Eliot Engel disse que segue comprometido com a reforma, mas talvez seja preciso fazer algo em uma escala menor. As informações são da Dow Jones.

Tudo o que sabemos sobre:
EUAreforma da saúdeDemocratas

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.