Arif Akdogan / Bloomberg
Arif Akdogan / Bloomberg

Após derrota em Istambul, Erdogan se volta à política externa

Erdogan visitará China e Europa após cúpula do G-20 no Japão

Redação, O Estado de S.Paulo

24 de junho de 2019 | 20h53

ISTAMBUL - O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, enfraquecido pela avassaladora vitória da oposição na eleição municipal de Istambul, tenta garantir sua posição como o político mais influente em meio século na Turquia ao voltar sua atenção para a política externa com uma importante visita à Ásia.

No domingo à noite, Erdogan congratulou o prefeito eleito de Istambul, Ekrem Imamoglu, prometendo manter a aliança com o Partido Nacionalista e promover os interesses da Turquia em casa e no exterior. Ele anunciou que visitará a China e a Europa após o encontro do G-20 no Japão esta semana.

Erdogan, que deve se reunir com o presidente americano, Donald Trump, na cúpula do G-20, quer demonstrar que agora está preocupado com questões mais importantes como a ameaça de sanções dos EUA por causa da compra de um sistema de defesa antimíssil da Rússia. O acordo entre a Turquia e a Rússia é irreversível, apesar das ameaças de sanções dos EUA, disse o chanceler Mevlut Cavusoglu.

Os investidores saudaram o resultado das eleições, elevando o valor da lira. “Como no passado, continuaremos trabalhando para nossos objetivos em 2023, sem abrir mão da democracia, do estado da lei, a paz e a estabilidade de nosso país em consonância com os princípios de nossa Aliança República”, disse Erdogan, referindo-se a sua aliança com o líder nacionalista Devlet Bahceli, da qual ele depende para se manter no poder até 2023.

O presidente também está acompanhando os sentimentos em seu partido Justiça e Desenvolvimento (AKP)”, disse Anthony Skinner, diretor para Oriente Médio e Norte da África da empresa de análise de riscos Verisk Maplecroft. “Ele tem menos margem de manobra do que nos últimos anos.”

Perder Istambul é muito mais do que ceder o controle da maior cidade da Turquia. O cargo de prefeito de Istambul foi o trampolim da carreira política de Erdogan. Se Imamoglu, de 49 anos, se sair bem no cargo, então o presidente – o mais influente líder desde o fundador da Turquia moderna, Mustafa Kemal Ataturk – pode considerá-lo um futuro adversário.

A derrota em Istambul também tirou do AKP o acesso à maior fonte de financiamento do país. Analistas estimam que cidade absorve um quarto de todos os investimentos públicos e um terço dos gastos da economia de US$ 748 bilhões do país. / BLOOMBERG

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