Após derrota, Merkel fala em aperto fiscal na Alemanha

Medida impopular ganha novo impulso após crise na Grécia e perda da[br]maioria da Câmara Alta nas eleições de domingo

BERLIM, O Estado de S.Paulo

11 Maio 2010 | 00h00

Depois de reconhecer a "amarga derrota" sofrida no domingo, quando perdeu a maioria no Bundesrat (Câmara Alta) e o governo da região mais populosa da Alemanha, a Renânia do Norte-Westafalia, a chefe de governo Angela Merkel cancelou ontem o plano de reduzir os impostos e anunciou que os alemães terão de apertar os cintos para conter a dívida da maior economia da Europa.

"O resultado eleitoral significa, primeiro, que as reduções de impostos não são aplicáveis no futuro imediato. Nossa prioridade será controlar o orçamento", disse ela, estipulando um prazo de pelo menos dois anos para que qualquer novo debate sobre redução da carga tributária volte a ocorrer no Parlamento

O discurso foi dirigido principalmente aos aliados do Partido Liberal, que nos últimos sete meses exigiram insistentemente a redução dos impostos como condição para continuar participando da coalizão governista liderada por Merkel.

O líder liberal e ministro de Relações Exteriores, Guido Westerwelle, disse aos jornalistas, em Berlim, que captou o "toque de alerta" dado pela chanceler e comprometeu-se a trabalhar por "um melhor clima na coalizão". Westerwelle foi apontado nas pesquisas de opinião como um dos políticos do bloco governista que despertam maior rejeição entre os eleitores alemães.

Grécia. A perda da maioria na Câmara Alta, além de assuntos domésticos, pode colocar em riscoo socorro prometido à Grécia - estimado em 22,4 bilhões somente em recursos alemães, que fazem parte de um pacote maior de 750 bilhões ao longo de três anos.

A aprovação do pacote de ajuda em caráter de urgência, dias antes da eleição, e o volume de recursos oferecidos pela Alemanha foram apontados como dois fatores fundamentais para o fracasso do governo de Merkel nas urnas. "As pessoas não ficaram contentes com o fato de a Alemanha transformar-se na tesoureira-geral da Europa", disse Gerd Langguth, cientista político da Universidade de Bonn e biógrafo de Merkel.

Há cinco anos, uma derrota semelhante na Renânia do Norte-Westfalia fez o então chanceler Gerhard Schroeder convocar eleições antecipadas, nas quais foi derrotado por Merkel. / REUTERS, AP e AFP

PARA ENTENDER

Segundo os finais, a União Democrata-Cristã, de Angela Merkel, obteve 34,6% dos votos na Renânia do Norte-Westfalia. Seus aliados, os democratas livres, conseguiram apenas 6,7%. O resultado não permite que ambos os partidos formem sozinhos um governo de coalizão. Mas seus principais adversários, os social-democratas, obtiveram 34,5% dos votos e caminham para formar uma aliança com os verdes (12,1%) e o Die Linke (5,6%), da chamada esquerda radical. O resultado aponta a perda da maioria governista na Câmara Alta do Parlamento alemão.

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