HO / PRU / AFP
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Johnson 'pausa' Brexit e Conselho Europeu recomenda novo adiamento

Depois que os deputados recusaram sua proposta para acelerar uma agenda para tornar efetiva a saída até o dia 31, premiê suspendeu tramitação até que o bloco decida sobre um novo prazo

Redação, O Estado de S.Paulo

22 de outubro de 2019 | 16h04
Atualizado 23 de outubro de 2019 | 15h42

LONDRES - O presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, afirmou nesta terça-feira, 22, que após a decisão do premiê do Reino Unido, Boris Johnson, de pausar o processo de ratificação do acordo de retirada do país da União Europeia, o Brexit, ele recomendará que os países do bloco aceitem o pedido britânico por mais prazo para evitar uma saída sem acordo. "Para isso, eu farei um procedimento por escrito", adiantou em sua conta no Twitter.

Johnson suspendeu a adoção do Brexit para aguardar a decisão depois que os deputados britânicos recusaram sua proposta para acelerar uma agenda para tornar efetiva a saída até o dia 31. Johnson afirmou que pausaria a tramitação até que o bloco decida sobre um novo adiamento.

A declaração de Johnson ocorre após a Câmara dos Comuns ter rejeitado a tramitação acelerada de um projeto de lei que transforma em legislação britânica o acordo fechado pelo líder conservador com a UE, num movimento visto como derrota para o primeiro-ministro e que o levaria a pedir uma nova extensão do prazo para o divórcio.

"Lamento que o Parlamento tenha votado de novo por adiar o processo do Brexit", disse Johnson no Parlamento, após as votações. "Mantenho minha política de seguir com nossa saída da UE em 31 de outubro", acrescentou

O premiê havia obtido sua primeira grande vitória parlamentar no caminho do Brexit depois que o Parlamento aprovou a medida para continuar examinando o projeto de lei apresentado por ele. Sua vitória, no entanto, foi eclipsada com a recusa à sua agenda acelerada para concluir a separação. 

Johnson havia advertido aos deputados britânicos de que se rejeitassem sua agenda ele retiraria seu projeto e tentaria obter eleições antecipadas.

Nos últimos dias, Johnson tentou duas vezes, sem sucesso, obter a aprovação dos deputados para o acordo alcançado com Bruxelas na semana passada, contrariando todas as expectativas.

Totalmente contrário a adiar pela terceira vez a saída da União Europeia, hoje ele voltou à carga, submetendo ao Parlamento o projeto de lei que deveria traduzir esse texto para a legislação britânica. O objetivo era fazer o texto ser adotado em apenas três dias.

"Se aprovarmos este acordo e a legislação que o possibilita, podemos virar a página e permitir a este Parlamento e a este país começar a se curar" das divisões que se agravam desde que, em 2016, 52% dos britânicos optaram pelo Brexit em um referendo, afirmou Johnson.

Consciente da hostilidade reinante, lançou um ultimato: "se o Parlamento se negar a permitir que o Brexit ocorra (...), o projeto de lei terá de ser retirado, e teremos de avançar para eleições gerais".

Expectativa de nova prorrogação 

No poder há menos de três meses, Johnson tenta convocar legislativas antecipadas desde que perdeu a maioria, em setembro, após a rebelião de 21 deputados conservadores.

Para antecipar as eleições, previstas para 2022, ele precisa, porém, do apoio de dois terços dos deputados. A oposição se nega a aderir até ter certeza de que evitou um caótico Brexit sem acordo no final do mês.

No sábado, Johnson se viu obrigado pelos legisladores a pedir uma nova prorrogação de três meses à UE, e é difícil imaginar que diante do risco de uma dolorosa saída brutal seus 27 sócios europeus rejeitem a demanda.

Mais cedo Tusk havia dito no Twitter que estava consultando os líderes da UE sobre como responder ao pedido britânico por mais tempo. / AFP e AP 

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