Christophe Petit-Tesson/ AFP
Christophe Petit-Tesson/ AFP

Após desentendimento, Trump e Macron se reúnem na França

Líderes procuraram difundir as tensões a respeito da criação de um exército próprio para a Europa sugerida pelo presidente francês

Andrei Netto, Correspondente / Paris, O Estado de S.Paulo

10 Novembro 2018 | 10h36
Atualizado 10 Novembro 2018 | 22h12

Os presidentes dos EUA, Donald Trump, e da França, Emmanuel Macron, tentaram apaziguar a relação bilateral neste sábado, 10,  em Paris, horas depois de o líder americano ter, via Twitter, se dito “muito insultado” pelo francês, que na terça-feira fez declarações sobre a necessidade de criação de um Exército da União Europeia

A reunião bilateral ocorreu no Palácio do Eliseu, na véspera das solenidades para o Centenário do Armistício, neste domingo. O desentendimento entre os dois aconteceu após uma entrevista concedida por Macron à rádio Europe 1, na terça. Falando de ciberdefesa, o presidente da França afirmou que a Europa precisa se proteger melhor das grandes potências da área. 

“Nós estamos sendo atingidos por ataques de hackers no ciberespaço. Temos de nos proteger em relação à China, à Rússia e até dos EUA”, disse o francês. Minutos depois, Macron evocou a necessidade de criação de Forças Armadas integradas para a União Europeia, um projeto de França, Alemanha, Itália, Bélgica, Holanda e Luxemburgo que data de 1952, nunca executado. 

“Frente à Rússia, que está em nossas fronteiras e demonstrou vontade de ser ameaçadora, precisamos de uma Europa que possa se defender melhor sozinha, sem depender apenas dos EUA”, afirmou Macron. 

O tema foi objeto de uma reportagem do conservador Wall Street Journal, onde as declarações foram apresentadas como se Macron defendesse a criação de um Exército europeu para se defender contra a Rússia, a China e os EUA. 

Horas depois, ao chegar à França no fim da noite de quinta-feira, Trump tuitou sobre o assunto, usando a mesma abordagem. “O presidente da França, Macron, sugeriu que a Europa construa sua própria força militar para proteger-se dos EUA, da China e da Rússia”, afirmou. “É muito insultante, mas talvez a Europa devesse primeiro pagar o percentual correto da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), que os EUA, subsidiam.” 

Ao ser recebido no Palácio do Eliseu neste sábado, Trump e Macron demonstraram menos calor humano que usualmente, com um aperto de mão breve e menos elogios de parte a parte. Na sequência, os dois tiveram uma reunião bilateral de três horas, que envolveu ainda um almoço com as primeiras-damas, Brigitte Macron e Melania Trump. 

Na reunião, Macron afirmou que os países europeus devem mesmo elevar seus investimentos militares para cumprir os acordos de financiamento da Otan, que prevê 2% do PIB de cada país devotados aos gastos militares. “Eu aprecio o que você disse sobre o compartilhamento do fardo. Você conhece meu ponto de vista: nós queremos uma Europa forte”, afirmou Trump. 

Mas, ao término da reunião, o protocolo americano informou que Trump havia cancelado a visita ao Cemitério Americano de Aisne-Marne, onde 1.289 soldados americanos foram sepultados após morrerem em batalhas da 1ª Guerra Mundial. A alegação foi de que o helicóptero da presidência não poderia voar em função do clima em Paris. Choveu fraco e de forma intermitente na capital francesa durante parte do dia. 

Além disso, a Casa Branca informou que Trump participará das solenidades do Centenário do Armistício, amanhã, na Avenida Champs Elysées, mas não mais comparecerá ao Fórum da Paz, organizado pelo governo da França e com a presença de dezenas de líderes políticos de todo o mundo.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.