Após desordens, deputados chamam Correa de "ditador"

Deputados equatorianos destituídos pelo Supremo Tribunal Eleitoral (STE) chamaram o presidente Rafael Correa de "ditador" e "assassino", após a suspensão da sessão parlamentar convocada para esta terça-feira, 13, pelo presidente do Congresso. O dia foi marcado por confrontos entre estes legisladores e a polícia, que tentava impedir a entrada de cerca de 20 parlamentares suspensos na sede do Legislativos.Em um incidente paralelo, ao menos duas pessoas ficaram feridos depois que motociclistas não identificados dispararam contra seguidores dos parlamentares.Após constatar os confrontos entre os legisladores cassados e a polícia, que deixaram pelo menos quatro feridos, o presidente do Congresso, Jorge Cevallos, suspendeu a sessão por considerar que havia uma "situação de emergência", e para buscar a "tranqüilidade" dentro da "crise política" no Equador.Ao todo 57 deputados foram cassados pela corte eleitoral do Equador porque tentaram impedir a realização, no dia 15 de abril, de um referendo sobre a convocação de uma Assembléia Constituinte. A medida do STE foi uma reação à decisão dos congressistas de "substituir" o presidente da corte, Jorge Acosta, depois que este defendeu a realização da consulta popular.Na sala do plenário, apenas 24 representantes estavam presentes, incluindo Cevallos. Diante disso, não seria lícito instalar a sessão, já que é necessário um quorum de 51 deputados, a metade mais um dos 100 membros da Câmara.Cevallos convocou uma nova sessão para a próxima terça-feira. Quase ao mesmo tempo, o Tribunal Constitucional (TC) - a corte máxima do país - afirmou nesta terça-feira que não avaliará um recurso proposto por Cevallos a fim de bloquear o conflito entre o Legislativo e o STE. Cevallos tinha pedido que o TC anulasse a resolução do Congresso que substituiu Jorge Acosta e outro posterior do órgão eleitoral no qual os 57 deputados da maioria legislativa de oposição foram destituídos.Após a decisão do TC de não avaliar o recurso, a oposição acusou o governo de ter pressionado o a corte com ameaça de destituir seus nove membros se estes aceitassem o processo movido pelo Congresso.ViolênciaAntes, um grupo de oito deputados destituídos liderados pelos representantes do Partido Renovador Institucional de Ação Nacional (Prian), Silka Sánchez e Gloria Gallardo, entrou no edifício do Congresso após confrontar-se com a polícia.A entrada dos oito deputados foi autorizada por Cevallos, que depois impediu o acesso de outros legisladores para evitar, segundo ele, "confrontos" - embora cerca de 15 outros deputados tenham conseguido entrar.Sánchez acusou os policiais da segurança legislativa de tê-los agredido, defendeu sua condição de deputada, apesar da destituição empreendida pelo TSE, e afirmou: "Vivemos em uma ditadura" imposta pelo presidente Correa."Estão expondo a vida para salvar a democracia", disse Gallardo, visivelmente alterada, para classificar Correa e seu governo de "ditatorial, autoritário, prepotente e assassino".O deputado do Partido Sociedade Patriótica (PSP) Fernando Aguirre, também destituído, concordou com Sánchez e Gallardo ao dizer que estavam ali "para defender a democracia e dizer basta à ditadura".Fora do edifício, o deputado do Partido Social Cristão (PSC) Pascual del Cioppo, também destituído, afirmou que "a ordem democrática está rompida e vivemos uma ditadura". Junto com ele, Alfonso Harb, também do PSC e destituído, disse que Correa "já tomou todos os poderes neste país. Não dirige apenas o Executivo, como também o Legislativo". "Hoje foi constituída a ditadura no país, quebrou-se o regime constitucional", disse Harb.Gustavo Terán, deputado do Movimento Popular Democrático (MPD), que apóia a Constituinte e o governo, responsabilizou o presidente do Congresso pelos incidentes, por permitir a entrada dos cassados.Os deputados Ramsés Torres e Salvador Quispe, do movimento indígena Pachakutik, também aliados do governo, concordaram com Terán.PopularesFora do Congresso, no início da manhã, houve a concentração de um grupo de pessoas que apoiava os deputados destituídos e que, segundo Sánchez, eram dirigentes regionais e locais do Prian, PSC e PSP. Depois, várias centenas de partidários do governo e da Assembléia Constituinte concentraram-se em frente à Câmara para pedir seu despejo e exigir que o Parlamento não se reunisse.Fora do Legislativo, aconteceram incidentes e confrontos entre manifestantes e policiais, que utilizaram gás lacrimogêneo. Dois deputados, um policial e um partidário dos legisladores destituídos ficaram feridos nos incidentes. TirosEm um incidente paralelo, pelo menos duas pessoas ficaram feridas quando um grupo de motociclistas disparou contra simpatizantes dos deputados destituídos que estavam do lado de fora de um hotel, disseram parlamentares e testemunhas. "Estamos no hotel Marriott e um grupo de motociclistas desconhecidos disparou contra seguidores nossos que estão do lado de fora. Há dois feridos", afirmou o deputado Clemente Vásquez à Reuters. A informação foi confirmada por testemunhas independentes consultadas.

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