Após despedida emocionada, Chávez chega a Cuba para cirurgia de 'alto risco'

Pranto. Vários ministros foram ao aeroporto acompanhar o embarque do presidente venezuelano e caíram no choro; em evento no Estado de Miranda, o vice-presidente Nicolás Maduro pediu aos venezuelanos que rezem pela saúde do líder bolivariano

CARACAS, O Estado de S.Paulo

11 de dezembro de 2012 | 02h08

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, chegou ontem a Cuba para passar por uma nova cirurgia para retirada de um tumor, a quarta desde que foi diagnosticado com câncer, no ano passado. O líder bolivariano foi recebido em Havana pelo presidente Raúl Castro. A operação, descrita pelo próprio Chávez como imprescindível e urgente, deveria ocorrer o mais rápido possível.

Na noite de sábado, Chávez fez um pronunciamento em rede nacional no qual comunicou aos venezuelanos sobre a volta do câncer e designou seu vice-presidente e chanceler, Nicolás Maduro, como seu sucessor, caso não tenha mais condições de seguir na presidência. A Constituição venezuelana prevê que se Chávez não conseguir assumir o novo mandato, em 10 de janeiro, ou não cumprir os quatro primeiros anos dele, serão convocadas novas eleições.

Chávez partiu para Havana na madrugada de ontem (domingo à noite em Caracas). Antes de deixar a Venezuela, despediu-se de parte do gabinete. "Até a vitória, sempre! Viva a pátria", disse o presidente momentos antes de embarcar. "Com a ajuda de Deus, sairemos vitoriosos desta batalha."

Segundo a rede de TV estatal Venezolana de Televisión, Chávez reconheceu os riscos que envolvem a operação, mas "apelou à unidade do povo venezuelano para garantir a caminhada da revolução bolivariana".

Durante o anúncio do novo tumor - que, segundo Chávez, seria na mesma região pélvica do anterior - alguns dos ministros chavistas choraram. O presidente disse sentir muitas dores e se viu obrigado a comunicar sua situação aos venezuelanos. Ele pediu que, em caso de novas eleições, todos seus partidários votem em Maduro.

Entre os auxiliares que acompanharam o embarque estavam Maduro, o presidente da Assembleia Nacional, Diosdado Cabello, além dos ministros da Comunicação, Ernesto Villegas, e da Defesa, Diego Molero Bellavia, e o ex-vice-presidente Elías Jaua.

Preterido por Maduro como sucessor do líder bolivariano, Jaua, que disputa no domingo o governo de Miranda com o ex-candidato presidencial Henrique Capriles, desejou melhoras ao presidente e pediu que volte rapidamente à Venezuela. "Dei um abraço no presidente e lhe disse: 'vá e volte'. Ele me respondeu: 'Claro que voltarei, Elías.'"

Cabello, por sua vez, criticou a oposição venezuelana e a acusou de tentar desestabilizar o governo. "Alguns setores da oposição andam com ódio, amargura e um desejo irrefreável de tirar Chávez da presidência", disse o presidente da Assembleia Nacional, segundo o jornal estatal Correo del Orinoco. "Não o fizeram nas urnas, nem com o golpe de Estado e não o farão com a doença."

O chefe do Legislativo venezuelano ainda rebateu críticas de falta de transparência por parte do governo sobre a doença do presidente. O tipo do tumor e os órgãos afetados nunca foram divulgados, embora se especule que Chávez sofra de um rabdomiossarcoma, um tumor nos tecidos entre os órgãos pélvicos muito raro em adultos, mas de alto risco. Segundo ele, o presidente deu aos venezuelanos mais informações do que lhe fora recomendado por seus assessores mais próximos.

Em uma inauguração de metrô em Miranda, Maduro pediu aos venezuelanos que rezassem pelo presidente. "Dizemos ao comandante: 'trate-se e cure-se, que o esperamos trabalhando, com os joelhos na terra'", afirmou.

A permissão para Chávez ausentar-se da Venezuela e passar por uma nova cirurgia em Cuba foi concedida por unanimidade pela Assembleia Nacional.

O presidente do Equador, Rafael Correa, um dos principais aliados de Chávez na América Latina, viajou para Cuba ontem para prestar solidariedade ao colega. Chávez descobriu o tumor em junho passado, durante visita a Havana, quando removeu "um abscesso pélvico". Dias depois, passou por uma cirurgia para retirada de um tumor. Em fevereiro deste ano, sofreu uma recidiva e passou por nova cirurgia na ilha. Após meses de repouso, reelegeu-se para seu quarto mandato presidencial, ao derrotar Henrique Capriles nas eleições de outubro, que inicialmente estavam marcadas para dezembro, mas foram antecipadas. / AP e AFP

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.