Após dissolução do Parlamento, manifestantes deixam Praça Tahrir

Centro dos protestos que derrubaram Mubarak amanheceu quase vazio nesta segunda após medidas anunciadas por conselho militar

BBC Brasil, BBC

14 de fevereiro de 2011 | 06h15

Milhares de manifestantes deixaram a Praça Tahrir, no centro do Cairo, após a junta militar que assumiu o poder no Egito na sexta-feira anunciar a dissolução do Parlamento e a suspensão da Constituição, no domingo.

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Em um comunicado transmitido pela TV, o Comando Militar que assumiu o poder no país anunciou que ficará no poder por seis meses ou até a realização de eleições.

O anúncio foi celebrado por muitos manifestantes que permaneciam acampados na Praça Tahrir e que viram nisso um rompimento claro com o antigo regime.

No pronunciamento, o Comando Militar declarou ainda que irá formar um comitê para elaborar uma nova Constituição, que será depois submetida a um referendo popular.

O presidente Hosni Mubarak, que estava no poder desde 1981, renunciou na sexta-feira após 18 dias de protestos populares.

Os militares declararam feriado bancário nesta segunda-feira em uma tentativa de organizar o retorno do país à normalidade após quase três semanas de protestos e paralisações.

Segundo a agência de notícias Reuters, o comando militar deve proibir reuniões de sindicatos e organizações profissionais, proibindo na prática as greves, para forçar os egípcios a voltarem ao trabalho.

Muitos trabalhadores estariam se sentindo encorajados pelos protestos a se organizar e protestar pela derrubada de chefes, a quem responsabilizam pelas grandes desigualdades de renda dentro das empresas.

Transição. O correspondente da BBC no Cairo Wyre Davies disse que a Praça Tahrir, principal ponto de concentração dos manifestantes anti-Mubarak no Cairo, estava praticamente vazia na manhã desta segunda-feira, com apenas alguns poucos manifestantes mais radicais ainda permanecendo no local.

A Constituição egípcia, suspensa no domingo, proibia muitos grupos e partidos de participar em eleições, deixando o Egito na prática com um Parlamento dominado pelos apoiadores do Partido Nacional Democrata (PND), de Mubarak.

Durante a transição, o gabinete de ministros indicado por Mubarak no mês passado, após o início dos protestos, seguirá governando, mas terá que submeter as decisões ao conselho militar para aprovação.

O opositor Ayman Nour, que concorreu contra Mubarak nas eleições presidenciais de 2005, descreveu as medidas anunciadas pelos militares como "uma vitória da revolução".

O primeiro-ministro Ahmed Shafiq disse que sua principal prioridade é restaurar a segurança no país. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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